Ísis ajeitou-se melhor na cadeira, tirando os sapatos e apoiando os pés no tapete.
— Foi tranquilo — respondeu, soltando o ar. — Ganhei um cachê bom. Vou conseguir pagar uma dívida, o que me deixa um pouco aliviada. Fui contratada pra um evento beneficente… arrecadação pra construir um hospital infantil pra crianças com leucemia.
A colher parou a meio caminho da boca de Olívia.
Ela piscou.
— Leucemia? — repetiu, com cuidado. — Como você reagiu?
— É… — Ísis sorriu de leve, mas havia algo mais profundo no olhar. — Foi forte. Ver tudo aquilo, ouvir os discursos. — ela respirou fundo antes de continuar. — Mas eu mantive o papel. Só que o duro mesmo… é quando a gente volta pra casa. Quando tira a maquiagem. Quando a encenação acaba. E volta a ser só… a gente.
Olívia assentiu devagar, com um olhar cansado.
— Verdade… — disse baixinho. — O problema é sempre quando a gente coloca a cabeça no travesseiro.
Ísis a encarou mais atentamente.
— E por que você tem tanto medo de se abrir comigo? De falar a verdade, hein? — perguntou com delicadeza, sem acusação, mas com curiosidade sincera. — Você foge do assunto sempre que chega perto de dizer o que realmente está acontecendo, o que à atormenta.
Olívia parou de mexer a sopa. Ficou alguns segundos em silêncio, olhando a fumaça subir da tigela.
— Porque… — começou devagar — …a pessoa que sabia tudo sobre mim. Tudo mesmo. Aquela que eu achava que era minha melhor amiga… — ela respirou fundo. — Era a mesma que estava me traindo pelas costas com meu ex-namorado. E eu descobri isso… no dia do casamento dela. Quando eu cheguei na igreja… e vi que quem estava no altar com ela… era ele. Então eu estou com sérios problemas em confiar nas pessoas.
Ísis ficou quieta por alguns instantes, absorvendo.
Por fim, disse baixinho.
— Me perdoa a franqueza, mas… não me surpreendeu ouvir isso.
Olívia levantou os olhos, confusa.
— Já vi muita coisa nessa vida, Liv — completou Ísis, com um meio sorriso triste. — Gente que se olha, ri junto, promete amizade eterna… e destrói a outra sem piscar, sem um pingo de arrependimento. Que tem prazer em ver o sofrimento alheio. Um bando de psicopatas, sabe? Mas… — apoiou os braços sobre a mesa e falou firme — …eu não sou essa sua ex-amiga. E eu não tenho nenhuma intenção de pegar seu marido. Aliás… — soltou uma risadinha curta — …eu já até te contei coisa demais da minha vida só pra te mostrar que pode confiar em mim.
Olívia a observou em silêncio, com um leve tremor nos lábios, como se lutasse entre acreditar ou se proteger.
Ela pousou a colher na tigela, pegou o guardanapo, limpou os lábios e ficou olhando Ísis… firme.
— Meu casamento com Liam… — começou, pausadamente — …não passa de um contrato.
Ísis não demonstrou choque. Apenas cruzou os braços e esperou.
— Tudo entre nós é uma farsa. — continuou Olívia, agora encarando a própria mão entrelaçando a outra. — A única coisa real… é a gravidez.
Ísis suspirou lentamente.
Ísis sorriu de leve.
— Mesmo que eu também tenha pedido isso na minha vez… hoje, eu prometo não ser falsa com você. Julgar… às vezes é só uma forma de tentar entender o que você sente. Agora come… e me conta tudo desde o começo.
Olívia respirou fundo, segurando a colher por alguns segundos sem levar até a boca. Parecia buscar as palavras certas, ou coragem para pronunciá-las.
— Tudo começou… em Dallas. — disse por fim, com a voz baixa, como quem teme ser julgada até pelas próprias palavras. — Onde nasci e fui criada.
Ísis apenas assentiu com leveza, sinalizando que continuava ouvindo.
— Eu estava em um restaurante de hotel comemorando três anos de namoro com o Peter. E a idiota aqui ainda se iludiu achando que seria pedida em casamento — continuou Olívia, com um sorriso amargo. — Nós conversamos, jantamos, bebemos… No hotel, houve uma confusão com as reservas. Peter me deixou no quarto para buscar uma surpresa, mas não voltou. Disse no meu casamento que recebeu uma ligação e precisou socorrer a mãe. E… foi assim que meu destino se cruzou com o de Liam. Dois bêbados inconsequentes. Passamos uma noite intensa juntos, mas, na minha cabeça, eu ainda estava com Peter.
Ela soltou um riso fraco, sem humor.
— Ele… me confundiu com uma das mulheres com quem costuma se envolver. Dessas que estão sempre à disposição dele. E sim, Liam tem vício em prostitutas, falando sem rodeios. E eu, muito burra, deixei as coisas acontecerem acreditando que estava com o grande amor da minha vida… acreditando que o final seria o altar.
— Você não foi burra, estava bêbada. E se não fosse seu namorado, diria que dopada. Você se apaixonou por Liam naquela noite? — perguntou Ísis com cuidado, apenas tentando entender o enredo.
Olívia pensou por um momento… e então respondeu.
— Não. — disse com sinceridade. — Acho que… eu fiquei marcada por tudo. Foi a primeira vez que… — ela engoliu em seco, mas continuou — …que alguém me tocou daquele jeito. Eu era virgem. Hoje eu consigo lembrar de muitas coisas. Foi intenso. Confuso. Prazeroso. E… ele não sabia nada sobre mim. E mesmo assim… no outro dia… ele deixou o cartão de crédito dele no criado-mudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato
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Liberem os próximos capítulos, estou extremamente ansiosa pra saber o desfecho, cada dia esse livro esta melhor....
Nossa que desfecho maravilhoso da Isís iurulll...
Libera mais páginas estou ansiosa . Apaixonada por cada capitulo...
Libera mais capítulos..... sofro de ansiedade kkkkk...
Eu não consigo colocar crédito. Já tentei 3 cartões...
Sera que existe liam na vida real super protetor?...
Liberem os próximos capítulos super ansiosa.... Liam e ta surpreendendo depois de ser tão mulherengo.......
195 desbloqueio da sequência desses capitulos...
Estou tento de ansiedade 🥺esperando o próximo episódio...