Ísis contraiu a sobrancelha, pensativa.
— Isso já é suspeito, viu? — Ísis disse devagar, como se pesasse cada palavra. — Nenhum homem… principalmente do nível dele… sai distribuindo cartão de crédito por aí. Não dá acesso ao próprio dinheiro pra qualquer uma.
Ela inclinou levemente a cabeça, analisando Olívia.
— Ele podia ter ido embora e fingido que você nunca existiu. Ser só mais uma noite e pronto. Mas preferiu garantir que você tivesse algo… — deu um meio sorriso irônico — nem que fosse um pretexto pra manter um fio de ligação. Mesmo que inconsciente.
Olívia baixou o olhar, sentindo cada palavra.
— Deixar aquele cartão no criado-mudo não foi um descuido qualquer — continuou Ísis, firme, mas sem agressividade. — Foi uma forma torta de dizer: “eu volto, mesmo que eu não admita isso pra ninguém — nem pra mim.”
Ela suspirou, como quem enxerga além da superfície.
— A gente pode tentar ser ingênua e fingir que ele nem percebeu… mas percebeu, sim. Porque, mesmo bêbado… — sua voz suavizou — algo em você ficou na mente dele. Talvez você tenha marcado mais do que imagina, mesmo que ele nunca vá admitir.
O olhar de Ísis ficou mais terno.
— Cartão de crédito na cabeceira não é lembrancinha de uma noite qualquer, Liv… — disse em tom mais baixo. — Talvez, naquela madrugada, você tenha sido bem mais do que só mais uma mulher na cama dele. Talvez… tenha sido a exceção que ele não queria perceber.
— Eu pensei isso também, Ísis… — disse Olívia, num tom baixo, apertando os dedos um contra o outro. — Mas depois de tudo que ele já me disse… e do jeito que age comigo… achei que era coisa da minha cabeça. Que eu estava imaginando demais. Fantasiando algo que não existe.
Ela soltou um riso fraco, quase sem vida.
— Ele me deixa muito confusa. Um dia parece que sente alguma coisa, no outro me destrói por dentro. Só me coloca pra baixo… me humilha… — murmurou, piscando rápido para conter as lágrimas. — Eu estava me sentindo sufocada, porque não podia contar isso pra ninguém. E… ouvir outra visão… ajuda a clarear a mente, sabe?
Ela tentou sorrir, mas o sorriso se quebrou no meio do caminho.
— Naquele dia, eu realmente achei que o cartão fosse do Peter… — confessou, olhando para um ponto vazio à frente como se revivesse a cena. — Pensei que ele tinha deixado porque tinha ido trabalhar e não queria me acordar cedo. Aí, na minha cabeça… aquilo era a confirmação de que a noite tinha sido a mais romântica da minha vida. Que ele queria mostrar que tudo caminhava pro pedido de casamento. Que meu sonho estava finalmente começando.
Ela respirou fundo, tentando se recompor.
— Então… eu guardei o cartão. Como quem segura uma prova de que algo bonito tinha acontecido. Depois voltei pra casa, Peter viajou a trabalho sem me falar nada, não me atendia, não respondia minhas mensagens… e eu continuei acreditando por alguns dias que aquela noite tinha significado alguma coisa.
Olívia baixou os olhos, sentindo o peso do passado e o caos do presente se encontrarem dentro dela. Ela respirou fundo e continuou.
— Aí… descobri que estava grávida. — ela continuou, com a voz embargando. — Fui contar pro Peter achando que era dele… e ele me humilhou. Disse coisas horríveis. E acabou tudo comigo. Amei saber sobre a gravidez, mas fiquei sem chão, porque não sabia quem era o homem daquela noite.
Olívia segurava o ar quando parou de falar, como se ainda estivesse se protegendo de algo que já não estava ali. Ísis a observou por alguns segundos, expressão pensativa… até soltar um assobio baixo.



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