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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 44

Ísis contraiu a sobrancelha, pensativa.

— Isso já é suspeito, viu? — Ísis disse devagar, como se pesasse cada palavra. — Nenhum homem… principalmente do nível dele… sai distribuindo cartão de crédito por aí. Não dá acesso ao próprio dinheiro pra qualquer uma.

Ela inclinou levemente a cabeça, analisando Olívia.

— Ele podia ter ido embora e fingido que você nunca existiu. Ser só mais uma noite e pronto. Mas preferiu garantir que você tivesse algo… — deu um meio sorriso irônico — nem que fosse um pretexto pra manter um fio de ligação. Mesmo que inconsciente.

Olívia baixou o olhar, sentindo cada palavra.

— Deixar aquele cartão no criado-mudo não foi um descuido qualquer — continuou Ísis, firme, mas sem agressividade. — Foi uma forma torta de dizer: “eu volto, mesmo que eu não admita isso pra ninguém — nem pra mim.”

Ela suspirou, como quem enxerga além da superfície.

— A gente pode tentar ser ingênua e fingir que ele nem percebeu… mas percebeu, sim. Porque, mesmo bêbado… — sua voz suavizou — algo em você ficou na mente dele. Talvez você tenha marcado mais do que imagina, mesmo que ele nunca vá admitir.

O olhar de Ísis ficou mais terno.

— Cartão de crédito na cabeceira não é lembrancinha de uma noite qualquer, Liv… — disse em tom mais baixo. — Talvez, naquela madrugada, você tenha sido bem mais do que só mais uma mulher na cama dele. Talvez… tenha sido a exceção que ele não queria perceber.

— Eu pensei isso também, Ísis… — disse Olívia, num tom baixo, apertando os dedos um contra o outro. — Mas depois de tudo que ele já me disse… e do jeito que age comigo… achei que era coisa da minha cabeça. Que eu estava imaginando demais. Fantasiando algo que não existe.

Ela soltou um riso fraco, quase sem vida.

— Ele me deixa muito confusa. Um dia parece que sente alguma coisa, no outro me destrói por dentro. Só me coloca pra baixo… me humilha… — murmurou, piscando rápido para conter as lágrimas. — Eu estava me sentindo sufocada, porque não podia contar isso pra ninguém. E… ouvir outra visão… ajuda a clarear a mente, sabe?

Ela tentou sorrir, mas o sorriso se quebrou no meio do caminho.

— Naquele dia, eu realmente achei que o cartão fosse do Peter… — confessou, olhando para um ponto vazio à frente como se revivesse a cena. — Pensei que ele tinha deixado porque tinha ido trabalhar e não queria me acordar cedo. Aí, na minha cabeça… aquilo era a confirmação de que a noite tinha sido a mais romântica da minha vida. Que ele queria mostrar que tudo caminhava pro pedido de casamento. Que meu sonho estava finalmente começando.

Ela respirou fundo, tentando se recompor.

— Então… eu guardei o cartão. Como quem segura uma prova de que algo bonito tinha acontecido. Depois voltei pra casa, Peter viajou a trabalho sem me falar nada, não me atendia, não respondia minhas mensagens… e eu continuei acreditando por alguns dias que aquela noite tinha significado alguma coisa.

Olívia baixou os olhos, sentindo o peso do passado e o caos do presente se encontrarem dentro dela. Ela respirou fundo e continuou.

— Aí… descobri que estava grávida. — ela continuou, com a voz embargando. — Fui contar pro Peter achando que era dele… e ele me humilhou. Disse coisas horríveis. E acabou tudo comigo. Amei saber sobre a gravidez, mas fiquei sem chão, porque não sabia quem era o homem daquela noite.

Olívia segurava o ar quando parou de falar, como se ainda estivesse se protegendo de algo que já não estava ali. Ísis a observou por alguns segundos, expressão pensativa… até soltar um assobio baixo.

— E… depois de um tempo… uma parte de mim achou que… talvez… com o convívio… pudesse nascer algo. Que o casamento… pudesse se tornar real.

O silêncio pairou no ar por alguns segundos.

— Então você começou a olhar pra ele com aquela esperança de “e se…” Acertei? — Ísis falou, num tom que misturava carinho e realidade.

Olívia confirmou com um aceno lento.

— Ele sempre foi frio — disse, apertando a colher com força. — Mas hoje, quando apareceu aqui, deu a entender que estava com ciúmes do André… Acho que ele percebeu que talvez… pudesse me perder. Que eu pudesse me envolver com alguém. Eu não sei.

Ela respirou fundo, tentando organizar pensamentos confusos.

— Eu sei que eu o provoquei. Queria arrancar uma reação. E consegui. Só que… — sua voz falhou, embargando — …no final, ele jogou na minha cara que não era pra criar expectativas. Que foi só sexo. Que nada vai mudar entre nós.

Os olhos se encheram de lágrimas.

— Ele me tratou como se eu fosse algo descartável. Como se eu fosse igual… às acompanhantes que ele usa e j**a fora quando não servem mais. Acredita?

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