Ela largou a colher de vez e passou a mão pelos olhos marejados.
— E quando achei que nada podia machucar mais… — Olívia respirou com dificuldade — eu fui até o quarto dele querendo brigar. Aí peguei o celular dele e vi notificações de mensagem da Bárbara… e de uma tal de “Princesa”, dizendo que também o ama muito.
Ísis inclinou levemente o corpo para a frente, atenta.
— E ele disse “amo” pra outra… — murmurou Olívia, enxugando as lágrimas que começaram a escorrer. — Porque… pela mensagem dela, ele mandou dizendo que a ama muito. E aí eu pensei: o problema realmente sou eu.
O silêncio que veio depois dessa frase pareceu vivo, pulsante, carregado de dor.
Ísis levou alguns segundos antes de dizer algo.
— Olívia… — começou devagar — …você foi usada emocionalmente. Mais de uma vez. Mas… — respirou fundo — …a parte em que você ainda quer entender ele é exatamente a parte que mostra que você está machucada… e presa num ponto entre sentir e negar que sente.
Olívia desviou os olhos para a tigela.
Por um instante, pareceu que ela ia chorar de novo.
Mas, ao invés disso, respirou fundo… e murmurou.
— Por que… eu ainda queria que ele escolhesse… a mim?
Ísis não respondeu imediatamente. Apenas estendeu a mão e cobriu a de Olívia sobre a mesa.
E então disse, com calma.
— Porque quando alguém nos toca na nossa primeira vulnerabilidade… a parte machucada tenta provar que é digna do amor que acha que precisa receber daquela pessoa. Mesmo que essa pessoa não saiba amar.
Foram palavras que não julgaram. Mas doíam pela verdade.
Olívia apenas assentiu devagar. As lágrimas não vieram dessa vez… mas algo dentro dela cedeu. Como se admitir aquilo marcasse o início de outra etapa, a de confronto interno.
— E agora? — perguntou, num fio de voz.
Ísis respirou fundo antes de responder:
— Agora você vai se levantar. Vai se cuidar. Vai comer. Vai proteger esse bebê. E vai aprender a lidar com Liam de um jeito diferente. Um jeito que te proteja e não te destrua… até que você entenda o próximo passo da sua história. Com ele… ou sem ele.
Olívia ficou em silêncio por alguns segundos, processando cada palavra.
E então disse algo que não esperava dizer… mas que saiu firme.
— Eu não vou sofrer por alguém que nunca me enxergou.
Ísis sorriu com leveza.
— Sabia que você está se enganando?
Olívia largou a colher dentro da tigela. A sopa ainda estava morna, mas o apetite já tinha ido embora. Ela respirou fundo, os olhos marejando novamente, e finalmente deixou escapar o que vinha tentando segurar por dentro.
— Eu não entendo… — disse, num tom fraco, como quem confessa algo que dói até pensar. — Eu juro que eu não entendo, Ísis. — Ela passou a mão nos olhos, mas as lágrimas insistiam. — Por que ele tem prazer em transar com… garota de programa — falou com firmeza, sem esconder a palavra — e não comigo? Por que ele demonstra sentir algo por mim em certos momentos, e logo depois age como se me odiasse? Como se eu fosse ninguém? Como se eu fosse… descartável.


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