Liam passou os dedos pelo colarinho, afrouxando o botão. Não ergueu os olhos.
— Eu estava conduzindo uma negociação bilionária, Alex — respondeu Liam, sem alterar o tom. — Meu papel ali não era agradar ninguém. Era fechar o contrato.
— Eu queria que você fechasse o contrato sem quase colocar tudo a perder — disse Alex, firme, mas sem elevar a voz. — Hoje, os investidores só assinaram porque a proposta era boa demais pra recusarem, não por causa de você. E isso não é comum.
Fez uma breve pausa, olhando diretamente para ele.
— Você está diferente, Liam. Muito diferente. E, por mais que tente negar, isso tem a ver com a Olívia.
Silêncio.
Liam pegou o celular, desbloqueou a tela e começou a deslizar os dedos como se procurasse algo urgente. O gesto era automático, mas denunciava fuga. Cruzou as pernas sobre a mesa de centro, sem olhar para Alex.
— Preciso ler alguns e-mails — disse, a voz fria e objetiva. — Amanhã, às oito, te espero na recepção.
Alex ficou observando Liam por alguns segundos, tentando decifrar algo naquele semblante frio que não demonstrava nada além de cansaço contido. Em seguida, inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Você não vai simplesmente ignorar isso — afirmou, a voz firme. — Nós somos amigos desde moleques. Eu sei exatamente quem você é. E sei quando você está explodindo por dentro.
Liam permaneceu imóvel, apenas mexendo o polegar sobre a tela do celular, indiferente.
— O que aconteceu entre você e a Olívia? — insistiu Alex, sem rodeios. — Ou melhor… o que houve lá na mansão que fez você voltar cuspindo fogo desse jeito?
Liam não desviou o olhar do aparelho quando respondeu.
— Eu não sou obrigado a dar satisfação sobre a minha vida pessoal.
Alex soltou um riso breve, sem humor.
— Não mesmo. — recostou-se no sofá, cruzando os braços. — Mas é obrigado a não colocar um contrato bilionário em risco porque está emocionalmente instável.
Silêncio.
Liam, ainda com expressão controlada, largou o celular sobre a mesa de centro. Nenhuma alteração no olhar.
— A Olivia está tentando me tirar do eixo — disse, por fim, num tom neutro, sem demonstrar raiva ou dor. — E eu não vou perder o controle.
Alex balançou a cabeça devagar, incrédulo.
— Não vai? Liam… você já perdeu. — Seu tom não era debochado; era firme, quase preocupado. — Você sente algo por ela. E essa tentativa desesperada de negar só deixa tudo mais óbvio. Caso contrário, você não teria deixado aquele cartão. Não teria ido atrás dela. Não estaria assim.
Liam sustentou o silêncio com a mesma frieza de sempre. Pegou o celular de volta, como se a conversa estivesse encerrada.
Alex apoiou um dos braços no encosto do sofá e ficou alguns segundos apenas observando-o.

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