Uma hora depois, a sala do CEO da Trident Marine Holding estava mergulhada em silêncio.
Liam permanecia sentado atrás da mesa imponente de nogueira escura, os olhos fixos nos relatórios espalhados à sua frente, mas sem realmente vê-los.
Os dedos tamborilavam no tampo com uma cadência precisa, quase mecânica. O som seco ecoava pelo ambiente elegante e minimalista. Um lembrete irritante daquilo que ele mais detestava: ter perdido o controle.
A cena na mansão voltava em flashes.
O toque dela. A insolência. O perfume. O sorriso no final.
"Quem está no controle da situação agora, marido?"
E aquele olhar… frio, provocante, insolente.
O olhar que o desmontou por dentro.
Liam respirou fundo, o maxilar travado, tentando apagar cada detalhe da memória. Mas o incômodo permanecia, como uma fagulha acesa no fundo da mente.
Detestava sentir, ainda mais por ela.
E, no entanto, não conseguia parar de pensar.
A lembrança ainda pulsava na mente dele quando a porta da sala se abriu sem aviso.
Ele ergueu o olhar devagar, o maxilar travado, os olhos frios como gelo.
— Eu já disse que quero que batam antes de entrar. — disse, a voz baixa e cortante.
Alex parou no meio da sala, um copo de café em uma mão e o celular na outra. Fingiu não se abalar, mas o arquejo breve nos lábios mostrava que conhecia bem aquele tom.
— Que bicho te mordeu, hein? — respondeu, com um meio sorriso. — Sempre entrei aqui assim.
Liam desviou o olhar para os relatórios, tentando retomar o controle da própria irritação.
— Então desaprende. — retrucou, frio, sem levantar a cabeça.
Alex soltou um suspiro teatral e deu alguns passos até a mesa.
— Certo… — murmurou. — Só queria saber como foi a consulta com a Olívia. Fiquei preocupado, afinal você saiu daqui com seu avô dizendo que ela não estava bem.
Nenhuma reação.
Liam continuava impassível, os dedos tamborilando de leve sobre o tampo da mesa.
— Estou tentando falar com você — continuou Alex —, mas o seu celular só dá desligado. Achei que tinha acontecido alguma coisa.
Liam ergueu o olhar lentamente, o semblante gelado.
— E por acaso eu pedi pra você cuidar da minha agenda?
Alex inclinou levemente a cabeça, um meio sorriso nos lábios.
— Não, mas quando um amigo some e volta com essa cara, eu fico no mínimo curioso.
Liam manteve o olhar firme, mas o silêncio dele dizia mais do que qualquer resposta.
— Se veio aqui pra especular, volte quando tiver algo útil a dizer. — disparou, voltando a olhar os papéis.
Alex balançou a cabeça, respirando fundo.
Ele já conhecia aquele humor. O mesmo que sempre aparecia quando o nome Olívia estava no meio.
Antes que Alex fizesse outra pergunta, a secretária apareceu à porta.
— Com licença, senhor Holt. — disse, colocando uma caixa sobre a mesa. — Seu novo celular chegou.
Alex ergueu as sobrancelhas, curioso.
— Novo celular? — perguntou para Liam. — O antigo quebrou socorrendo a Olívia, é isso? Porque você saiu daqui com ele, inteirinho.
Liam ergueu o olhar, lento. O tom frio, o olhar afiado.
— Alex… não enche o saco.
Ele se encostou na mesa, cruzando os braços. Observava o amigo em silêncio, como quem estudava um enigma. O rosto de Liam estava fechado, mas os olhos denunciavam algo. Não era apenas irritação, era um incômodo mais profundo, o tipo de coisa que ele nunca admitiria em voz alta.
— Certo… — disse Alex, com um sorriso leve. — Já entendi. Não quer conversar. Mas, por curiosidade… esse seu humor é por causa da Olívia, não é?
Liam levantou os olhos lentamente, o olhar impassível.
— Você está delirando. — respondeu, seco.


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