Liam permaneceu em silêncio, apenas observando. O olhar duro, fixo, mas a respiração o traía. Ele tentava manter o controle, mas estava perdendo, segundo após segundo.
A água escorria entre eles, quente, densa. Olívia passou o sabonete no peito dele, subindo até os ombros, e murmurou com um sorriso enviesado.
— Sabe, Liam… — começou, o tom suave e debochado. — Acho que está na hora de eu te mostrar o que é ser uma esposa perfeita, mesmo isso sendo uma farsa.
Ele arqueou as sobrancelhas, mas continuou imóvel, apenas observando.
— Imagina, Mozão… — disse ela, a voz aveludada, um fio de sarcasmo passando entre as palavras. — Você chegando em casa depois de um dia exaustivo, o terno impecável, essa cara fechada de sempre. Aí eu te espero com o jantar pronto, a mesa posta, a taça de vinho… e, do nada, te puxo pra cá.
Ela o ensaboava devagar, o sabonete escorregando pelo abdômen definido, a espuma desenhando cada contorno.
— Te acompanho até o banho — continuou, o olhar subindo até encontrar o dele —, tiro seu paletó, a gravata, com beijos… e vou abrindo cada botão da sua camisa, um por um, até revelar esse abdômen aqui. — disse, passando o sabonete nele com calma, quase como uma carícia.
A água batia no corpo dele, mas era o toque dela que queimava. Liam continuava sem dizer nada. Apenas olhava. O maxilar travado, o olhar firme, o corpo denunciando cada reação que ele tentava esconder.
— Se quiser, o banho pode ser na banheira — continuou ela, o tom suave, mas carregado de ironia. — Eu ficaria caladinha, afinal, é o seu momento de relaxar.
Ela inclinou a cabeça, ensaboando o braço musculoso dele com delicadeza exagerada.
— Me diz, Mozão… — provocou, sorrindo. — Alguém já fez isso pra você?
Liam não se moveu. O maxilar travado, o olhar tenso. O corpo, porém, já o denunciava.
— O relaxamento começaria aqui mesmo — prosseguiu, mordendo o lábio. — Embaixo do chuveiro. Com muito agrado pro seu amigão, porque as preliminares são importantes, né? — sussurrou com a mão lá. — Essa minha boca, sabe fazer muito bem o que você mais gosta. Seus gemidos da última vez, não me deixa mentir. E aí você decide o próximo passo…
Fez uma pausa curta, o sorriso afiado.
— Mas aí eu não sei se é uma boa idéia— disse, com falsa inocência —, já que, segundo você, eu não sou uma mulher que te agrada. Acho que preciso melhorar muito ainda, não é, marido?
Olívia o olhou intensamente, sem dizer mais nada, as mãos ainda se movendo com lentidão calculada. Liam não reagiu. A respiração era pesada, o olhar cravado nela.
O silêncio entre os dois parecia vibrar. O ar quente, o vapor, o cheiro do sabonete, tudo era uma provocação viva.
Olívia olhou para baixo, notando o efeito que causava. Sorriu, triunfante.
— Ops. — murmurou, com ironia.
Girou o registro e a água ficou fria, cortando o calor do momento.
— Mudei a temperatura da água. — disse, erguendo o olhar e sorrindo com malícia. — Seu orgulho está muito atiçado.
Deu um passo para trás, os olhos brilhando com aquele misto de desafio e provocação.
A água fria caía entre eles, contrastando com o calor que ainda pulsava no ar.
Ela inclinou levemente a cabeça, o sorriso afiado nos lábios.
— Quem está no controle da situação agora, marido? — perguntou, a voz baixa, carregada de sarcasmo.
Sem esperar resposta, virou-se e saiu do box com calma, pegando a toalha. O corpo molhado refletia a luz difusa, o vapor desenhava a silhueta dela enquanto caminhava até a porta.
Liam ficou parado, respirando fundo, os olhos fixos nela. Não disse nada. Não precisava.
O ódio pela ousadia dela queimava, na mesma medida do desejo que ele tentava negar.
Do lado de fora, Olívia se enxugou em silêncio no closet, o coração acelerado.
Olhou-se no espelho e viu o reflexo de alguém que, pela primeira vez, tinha o controle do jogo. Um sorriso discreto, vitorioso, surgiu nos lábios dela.
— Eu disse que ia te enlouquecer, Liam. — murmurou. — E isso… é só o começo.


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