Nunca achei que seria humanamente possível organizar uma mudança completa de vida em menos de vinte e quatro horas. Mas ali estava eu, observando pela janela de um jatinho particular enquanto o Rio de Janeiro se tornava cada vez menor abaixo de nós, e toda minha existência estava resumida às bagagens no compartimento de carga do jatinho particular.
Havíamos empacotado tudo em apenas um dia - uma façanha que ainda me parecia surreal. Christian havia contratado uma equipe de mudança profissional que trabalhou como formigas organizadas, embalando cada objeto, cada lembrança, cada pedaço da vida que construí naquele pequeno apartamento. Devolvemos as chaves para o proprietário, com Christian mal se importando em pagar todas as multas contratuais por quebra antecipada de contrato (e manchas suspeitas de vinho nas paredes). Quando o homem tentou argumentar sobre cláusulas e penalidades, Christian simplesmente abriu o aplicativo do bando e fez uma transferência de um valor que fez os olhos do proprietário se arregalarem e sua boca se fechar imediatamente.
E de repente, toda minha vida estava dentro de um jatinho particular, voando em direção a uma mansão na Serra Gaúcha que eu ainda precisaria aprender a chamar de casa.
Era difícil deixar minha independência para trás. Sempre fui uma pessoa que valorizava sua autonomia, que gostava de saber que tinha meu próprio espaço, meu próprio dinheiro, minha própria identidade separada de qualquer relacionamento. A ideia de depender completamente de Christian, por mais que o amasse, me causava uma ansiedade que eu tentava reprimir.
Mas, sinceramente, o que exatamente estava sendo minha vida ultimamente? Correndo atrás de emprego que nunca se materializava, enfrentando sabotagens profissionais, sendo rejeitada em entrevistas sem explicação aparente. E agora, grávida, sabia que as chances de conseguir qualquer posição decente eram praticamente nulas. Que empregador contrataria uma mulher grávida sabendo que ela sairia de licença em alguns meses?
Talvez essa mudança fosse, na verdade, uma bênção disfarçada. Um recomeço necessário em um ambiente mais seguro e controlado.
Olhei para Christian, que estava concentrado no notebook, mesmo durante o voo. Ele havia passado a manhã inteira ao telefone com Giuseppe, explicando a situação e organizando nossa chegada.
— Em que você está pensando? — ele perguntou, notando meu olhar.
— Em como minha vida mudou completamente em questão de horas — respondi honestamente. — Ontem de manhã eu estava tomando café na nossa cozinha, preocupada em encontrar um emprego. Agora estou voando em um jatinho particular para morar indefinidamente numa mansão.
Christian fechou o laptop e se virou completamente para mim.
— Você está arrependida?
— Não — respondi sem hesitação. — Estou... processando. É muita mudança de uma vez só.
— Eu sei — ele disse suavemente, pegando minha mão. — Mas assim que você quiser, podemos trazer sua família também. Seus pais, Annelise, Matheus. Todos podem ter uma vida muito mais confortável e segura na propriedade.
A ideia me aqueceu o coração. Imaginar meus pais livres das preocupações financeiras, Anne tendo oportunidades reais de crescimento, Matheus podendo talvez trabalhar na Bellucci... Era tentador demais para ignorar.
— Giuseppe realmente não se importa com toda essa invasão? — perguntei.
— Zoey, ele está praticamente em êxtase — Christian riu. — Sabe como ele sempre quis que nossa família crescesse e se estabelecesse na propriedade. Ter você morando lá oficialmente, construindo nossa vida juntos na casa da família... É o sonho dele se realizando.
O pouso na pista particular da propriedade foi suave, e assim que descemos da aeronave, pude sentir o ar puro da serra preenchendo meus pulmões. Era uma diferença gritante da poluição do Rio. Até mesmo o silêncio era diferente - um silêncio que acalmava ao invés de preocupar.
— A primeira notícia — Christian continuou, sua voz assumindo um tom mais formal — é que Zoey agora está oficialmente morando aqui definitivamente. Esta é nossa casa agora, nossa vida está aqui.
Giuseppe bateu palmas devagar, claramente emocionado.
— Que notícia maravilhosa! — exclamou. — Vocês sabem o quanto eu desejava isso.
— E a segunda surpresa... — Christian fez uma pausa, olhando para mim. — Zoey, você quer contar, ou posso falar?
Senti meu coração acelerar. Esse era o momento que havíamos planejado, mas de repente me senti nervosa. Como Giuseppe reagiria à notícia?
— Pode falar, amor — disse, minha voz saindo mais baixa que o normal.
Christian sorriu, se virou para Giuseppe e disse simplesmente:
— O senhor vai ser bisnonno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....