O escritório de Nathaniel Carter era exatamente o que eu esperaria do COO de uma empresa como a Bellucci. Elegante, imponente, e definitivamente projetado para intimidar. As paredes eram revestidas com estantes de livros em mogno escuro, uma mesa enorme dominava o centro da sala, e as janelas ofereciam uma vista deslumbrante de Hyde Park. Era o tipo de ambiente que deixava claro quem estava no comando.
Ele estava de pé atrás da mesa, folheando alguns documentos, mas levantou o olhar no momento em que entrei. Por alguns segundos, ficamos apenas nos encarando em silêncio. Seus olhos verdes me percorreram rapidamente - profissionalmente, é claro - mas havia algo na forma como ele me olhava que me fez lembrar exatamente de como esses mesmos olhos me olharam naquele banheiro.
— Annelise — ele disse finalmente, sua voz soando perfeitamente controlada. — Por favor, sente-se. Posso oferecer café? Água?
— Não, obrigada — respondi, caminhando até a cadeira em frente à mesa dele. Minha voz saiu surpreendentemente firme, considerando que meu coração estava batendo como se eu tivesse corrido uma maratona.
— Tem certeza? — Ele arqueou uma sobrancelha, um pequeno sorriso brincando nos cantos da boca. — Às vezes é importante se manter hidratada durante conversas... turbulentas.
A forma como ele disse a palavra me fez engolir seco.
— Estou bem, obrigada — repeti, me sentando e cruzando as pernas, determinada a manter minha postura profissional.
Nathaniel assentiu e se sentou também, apoiando os cotovelos na mesa e me estudando com aquela intensidade que já estava se tornando familiar.
— Então — ele começou, abrindo uma pasta na mesa —, Bianca tem me dado relatórios excelentes sobre seu trabalho. Diz que você tem se mostrado muito receptiva às nossas demandas.
Receptiva. Havia algo na forma como ele enfatizou a palavra que me fez pensar em coisas que definitivamente não tinham a ver com trabalho.
— Tenho tentado dar o meu melhor — respondi, mantendo a voz neutra.
— E tem conseguido, pelo que vejo. — Ele folheou algumas páginas na pasta. — Seus relatórios mostram que você realmente sabe como satisfazer expectativas. Impressionante, considerando que você está lidando com material completamente novo.
Satisfazer expectativas. Meu Deus, por que cada frase dele soava carregada de duplo sentido?
— Agradeço o feedback positivo — consegui dizer. — Sempre me esforço para entregar resultados de qualidade.
— Ótimo. — Nathaniel fechou a pasta e se recostou na cadeira. — Devo dizer que fiquei surpreso com sua performance até agora. Pelo que ouvi, você não tem medo de se dedicar completamente quando algo desperta seu interesse.
Ele estava fazendo isso de proposito? Ele só podia estar fazendo isso de proposito! Estava claramente se divertindo com isso.
— Acredito que paixão pelo trabalho é fundamental — respondi, sentindo meu rosto esquentar ligeiramente.
— Concordo plenamente. — Seus olhos brilharam com diversão mal disfarçada. — E você demonstrou estar muito disposta a explorar novas posições... no mercado europeu, é claro. Muito flexível em suas abordagens.
As palavras ecoavam na minha mente de uma forma nada profissional.
— Procuro estar sempre aberta a experiências de aprendizado — respondi, me perguntando se ele conseguia perceber como essas conversas me afetavam.
— Perfeito. — Nathaniel se levantou da cadeira e caminhou até uma estante de livros, pegando um volume sobre estratégias de mercado. — Porque tenho alguns projetos em mente que vão requerer sessões de trabalho bem... intensas. Talvez precisemos trabalhar até tarde algumas vezes.
Sessões intensas. Trabalhar até tarde. Por que tudo que ele dizia soava como convite para algo completamente diferente?
— Fico feliz em saber que vê potencial no meu trabalho — disse, tentando manter o foco.
— Oh, definitivamente vejo. — Ele fechou o livro e caminhou de volta em minha direção, mas dessa vez parou ao lado de uma cadeira próxima à minha, apoiando-se no encosto. — Na verdade, tenho uma memória muito clara de nossa primeira interação. Você demonstrou uma paixão que raramente vejo em novos membros da equipe.
Ele estava definitivamente lembrando do avião.
— Agradeço a confiança — murmurei, sentindo que minha voz estava ficando mais baixa.
— Essa é uma das qualidades que mais admiro em você, Anne. — Meu nome soou diferente na voz dele, mais íntimo. — Sua autenticidade. A forma como você se entrega aos desafios, sem reservas.
Sem reservas. Como no banheiro daquele avião.
A tensão estava crescendo a cada segundo. Não era desconfortável, mas era intensa, elétrica. Ele se inclinou um pouco mais, como se fosse compartilhar algo confidencial...
TOC TOC TOC.
— Sr. Carter? — A voz de Margaret soou do outro lado da porta, quebrando completamente o momento. — Desculpe interromper, mas o Sr. Whitmore da divisão francesa está na linha. Ele disse que é urgente.
Nathaniel se afastou naturalmente, como se nada tivesse acontecido, mas eu podia ver um lampejo de frustração em seus olhos.
— Um momento, Margaret — ele respondeu, sua voz voltando ao tom perfeitamente profissional.
Ele caminhou de volta para trás da mesa, ajeitando a gravata, mas me olhando com aquele pequeno sorriso que sugeria que nossa conversa estava apenas começando.
— Bem, Anne — disse, como se tivéssemos terminado uma reunião completamente rotineira —, foi muito esclarecedor conhecê-la melhor.
Consegui me levantar da cadeira, ainda sentindo os efeitos da tensão que havia se criado entre nós.
— Igualmente — murmurei.
— Ótimo. — Nathaniel caminhou até a porta comigo. — A propósito, prepare-se para alguns dias bem movimentados. Vou precisar de sua colaboração próxima em vários projetos.
— Claro — consegui responder. — Estarei disponível.
— Excelente. — Seus olhos encontraram os meus uma última vez, e havia algo ali que me fez tremer. — Tenho certeza de que será uma experiência muito produtiva para ambos.
Saí do escritório com o coração ainda acelerado e a mente confusa, completamente consciente de que havia acabado de entrar em um jogo sutil, mas intenso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....