~Nathaniel~
— Foi você quem mandou as flores? — Bianca perguntou diretamente, seus olhos fixos nos meus. — Você é o cara do aplicativo?
— Claro que não — respondi imediatamente, tentando soar ofendido pela sugestão. — Do que você está falando?
— Claro que é — ela insistiu, se inclinando para frente na cadeira. — Tudo faz sentido agora. O jeito como você olha para ela, como sempre arranja desculpas para trabalhar com ela, como ficou estranho quando mencionei o cara misterioso...
— Bianca, Anne e eu somos amigos. Apenas amigos.
— Corta essa de amigos — ela disse, fazendo um gesto impaciente com a mão. — Vocês claramente estão obcecados um pelo outro desde que foderam naquele avião.
Senti minha mandíbula se contrair. Como ela se atrevia a ser tão invasiva? A falar sobre algo tão pessoal de forma tão crua? Só porque era amiga de Anne não lhe dava o direito de se meter assim na minha vida privada. Ou a definir Anne e eu a uma... foda.
— Bianca — disse, elevando a voz e assumindo meu tom mais autoritário —, devo te lembrar que sou seu chefe?
— Devo te lembrar que sou uma Bellucci? — ela retrucou sem se intimidar. — Posso pedir acesso às câmeras para meu irmão. Christian adoraria investigar uma questão de segurança.
A ameaça era clara. E efetiva. Bianca sabia que, como Bellucci, tinha conexões que eu não podia simplesmente ignorar. Christian não hesitaria em autorizar o acesso se sua irmã pedisse por questões de segurança.
— Vai em frente. Explique para Christian que sua grande questão de segurança urgente é um buquê de rosas vermelhas. Tenho certeza de que ele vai levar isso muito a sério.
Bianca me encarou por alguns segundos, depois suspirou exasperada.
— Eu só estou preocupada com minha amiga, tá? — disse, sua voz perdendo um pouco da agressividade anterior. — Anne já passou por cada tipo de idiota possível nesses aplicativos. E se é você o cara do app, eu até fico aliviada, pelo menos sei que você não é um serial killer.
Ela fez uma pausa, me estudando novamente.
— Só acho que vocês deveriam parar logo de fingir. Você não é chefe dela dessa porta para fora. E vocês são adultos o suficiente para saber separar as coisas.
Bianca me encarou diretamente, e eu segurei o olhar dela, tentando manter minha expressão neutra. Por alguns segundos, ficamos em silêncio, numa espécie de duelo psicológico.
— Não é você mesmo? — ela perguntou finalmente, sua voz mais suave mas ainda desconfiada.
— Não — menti, esperando que minha voz soasse convincente.
— Tudo bem — Bianca disse lentamente, como se estivesse se convencendo. — Se você diz que não é...
Percebi que ela realmente se importava com Anne, que toda aquela investigação vinha de um lugar de proteção genuína. Cedi um pouco.
— Olha, vou dar uma olhada nas gravações, está bem? Mas posso te garantir que o escritório é seguro. Anne está segura. Você não precisa se preocupar com isso.
— Obrigada — Bianca suspirou, parecendo um pouco mais relaxada. — Eu sei que estou sendo paranoica, mas...
— Você está sendo uma boa amiga — interrompi. — É natural se preocupar.
Quando havia me tornado esse tipo de pessoa?
Peguei o telefone e olhei para nossa conversa no aplicativo. Minha última pergunta ainda estava lá, sem resposta. E provavelmente nunca teria resposta, porque Anne havia decidido deletar tudo.
Talvez fosse melhor assim.
Na verdade, era definitivamente melhor assim. Era bom que ela desinstalasse o aplicativo. Era bom terminar com aquela farsa de uma vez por todas.
Eu havia criado Wanderer como uma forma de me conectar com Anne sem as complicações profissionais, mas no processo havia me tornado exatamente o tipo de homem de quem ela estava tentando fugir.
Se realmente me importava com ela, se realmente queria o melhor para Anne, então tinha que deixar Wanderer morrer.
Abri o aplicativo pela última vez, olhei para o perfil que havia criado, para as fotos artísticas que não mostravam meu rosto, para a biografia cuidadosamente elaborada.
Depois fechei o aplicativo e deletei da tela do telefone.
Olhei pela parede de vidro do meu escritório, podendo ver Anne em sua mesa. Ela estava concentrada no computador, uma expressão séria no rosto, completamente alheia ao drama que havia se desenrolado na minha sala.
Talvez Bianca estivesse certa sobre uma coisa: éramos adultos o suficiente para separar as coisas. Trabalho era trabalho. O que quer que existisse entre Anne e eu teria que permanecer fora do escritório.
A questão era se haveria alguma coisa entre nós para manter viva fora daqui.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....