Estava concentrada em um relatório sobre as métricas de vendas do terceiro trimestre quando senti algo macio sendo colocado na minha cabeça. Olhei para cima e vi Bianca parada ao lado da minha mesa, com um sorriso travesso no rosto e as mãos nos quadris, claramente orgulhosa da sua travessura.
— Bianca, o que...? — comecei, levando a mão à cabeça e sentindo um tecido felpudo.
— Gorro de Natal — ela anunciou com toda a pompa, como se estivesse apresentando uma obra de arte. — Ficou perfeito em você.
Não consegui evitar rir da expressão satisfeita dela. Tirei o gorro e o examinei - era daqueles tradicionais, vermelho com pompom branco na ponta, provavelmente comprado em alguma loja de departamentos aqui perto.
— Não está um pouco cedo para isso? — perguntei, ainda rindo. — Estamos apenas em novembro.
— Anne, olha só lá fora! — disse com aquela animação contagiante que era marca registrada dela. — Londres inteira já está no clima natalino. Tem árvores iluminadas em cada esquina, as lojas estão todas decoradas, até os ônibus vermelhos têm guirlandas. Como você pode resistir a isso?
Ela estava certa. O hall da Bellucci havia sido transformado numa verdadeira instalação natalina. Havia uma árvore enorme no centro, decorada com luzes douradas e ornamentos elegantes que combinavam com a estética sofisticada da empresa. Guirlandas verdes com laços vermelhos adornavam as colunas, e até mesmo as recepcionistas estavam usando broches pequenos em formato de flocos de neve.
— Está bonito mesmo — admiti, colocando o gorro de volta na mesa. — Mas essa época me deixa um pouco melancólica.
Bianca franziu a testa e se recostou na beirada da minha mesa, assumindo aquela postura de quem estava pronta para uma conversa séria.
— Você é tipo o Grinch? — perguntou, meio de brincadeira, meio preocupada.
— O Grinch? — repeti, rindo do termo. — Não, não é isso. Eu gosto do Natal, na verdade. É só que... fica difícil entrar no clima quando você sabe que vai passar a data longe da família.
A expressão de Bianca se suavizou imediatamente, e pude ver a compreensão chegando aos olhos dela.
— Por que você não vai para o Brasil? — ela perguntou gentilmente. — Tenho certeza de que a empresa liberaria uns dias a mais, especialmente considerando como você tem se dedicado.
Suspirei, brincando com a caneta na minha mão enquanto tentava articular um sentimento que eu mesma às vezes não conseguia entender completamente.
— Eu meio que... tenho medo.
— Medo de voar?
— Não, não é isso — balancei a cabeça. Por mais que eu me lembrasse perfeitamente do medo durante meu último voo. — Tenho medo de que, ao reencontrar a família, ao voltar para aquele ambiente familiar e acolhedor, eu perca a coragem de retornar para Londres. Que eu acabe desistindo de tudo que construí aqui.
Bianca me olhou por alguns segundos, processando minhas palavras.
— Você tem medo de se sentir tão em casa no Brasil que Londres perca o sentido? — ela perguntou, demonstrando uma percepção que me impressionou.
A frase sobre "pedaços quebrados" ressoou comigo de uma forma estranha. Era exatamente assim que eu me sentia às vezes - como se estivesse tentando juntar fragmentos de quem eu era no Brasil com quem estava me tornando em Londres, na esperança de que a pessoa resultante fizesse algum sentido.
Quase sem pensar, comecei a digitar uma resposta. Mas desta vez, ao invés de responder diretamente ao que ele havia dito, senti curiosidade sobre a vida dele. Qual era a história por trás daquele homem que parecia entender tão bem a complexidade dos sentimentos humanos? Então, fiz minha quinta pergunta:
"E você? Está quebrado emocionalmente também? Qual foi o seu último grande amor... e como ele acabou?"
Apertei enviar antes que pudesse me arrepender da pergunta direta. Agora era questão de esperar para ver se ele seria tão honesto comigo quanto eu sempre era com ele.
Guardei o celular rapidamente quando Bianca terminou sua chamada e se virou para mim, ainda com aquele sorriso caloroso no rosto.
— Então — ela disse, pegando o gorro de Papai Noel que eu havia deixado na mesa —, posso deixar isso aqui? Para quando você estiver pronta para entrar no clima natalino?
— Pode deixar — respondi, sorrindo de volta. — Quem sabe até o final de novembro eu não esteja usando ele por vontade própria.
— Essa é a atitude que eu queria ouvir — Bianca riu, colocando o gorro de volta na minha cabeça rapidamente antes de sair praticamente correndo para evitar que eu protestasse.
Fiquei ali, com o gorro torto na cabeça, sorrindo sozinha no meu cubículo enquanto pensava na pergunta que havia acabado de fazer para Wanderer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....