Cheguei ao escritório às sete e meia da manhã, bem mais cedo do que o habitual. Não que eu tivesse dormido muito para justificar acordar tão cedo - passei a noite inteira virando na cama, repassando cada palavra da conversa com Nate na sala dele.
"Eu vou continuar esperando."
A frase ecoava na minha cabeça como um mantra persistente. Esperando o quê, exatamente? Pela conversa que não tivemos no jardim? Por uma decisão minha? Por um momento de coragem que eu claramente não possuía?
Sentei-me na minha mesa e liguei o computador, tentando me concentrar no relatório que precisava finalizar até o meio-dia. Mas cada movimento no corredor me fazia levantar o olhar involuntariamente, procurando por uma silhueta familiar, por cabelos castanho-escuros, por aqueles olhos verdes que pareciam ver através de mim.
Era patético.
Quando finalmente o vi passando em direção ao elevador, carregando uma pasta e falando ao telefone, meu estômago deu uma volta completa. Ele não olhou na minha direção - estava claramente concentrado na conversa - mas mesmo assim senti como se meu corpo inteiro tivesse sido conectado à eletricidade.
Isso tinha que parar.
— Anne? — uma voz sussurrada me fez virar rapidamente.
Era Sarah, da contabilidade, encostada no biombo que separava nossos cubículos. Ela olhou ao redor discretamente antes de se inclinar mais para perto.
— É verdade que você e o Sr. Carter...? — ela não terminou a pergunta, mas a insinuação estava clara em seus olhos curiosos.
Senti o calor subir pelo pescoço. Era exatamente isso que eu temia desde a festa de Alessandra. As fofocas, os olhares, as especulações sussurradas pelos corredores.
— Não tenho ideia do que você está falando — respondi firmemente, voltando minha atenção para a tela do computador.
Sarah fez uma expressão de quem não acreditou nem um pouco, mas pelo menos teve a decência de voltar para sua mesa sem insistir.
Respirei fundo, tentando controlar a irritação que crescia no meu peito. Se Sarah estava perguntando abertamente, quantas outras pessoas estavam especulando sobre minha vida pessoal? Quantos comentários maldosos estavam circulando pela empresa inteira?
— Anne! — a voz de Bianca cortou meus pensamentos sombrios como um raio de sol.
Ela apareceu no meu cubículo carregando duas xícaras de café e um sorriso radiante que contrastava completamente com meu humor melancólico.
— Você chegou cedo hoje — observou, colocando uma das xícaras na minha mesa. — Café duplo, do jeito que você gosta quando está estressada.
— Como você sabe que estou estressada? — perguntei, aceitando o café.
— Porque você está com aquela expressão de quem passou a noite inteira pensando demais — Bianca se encostou na minha mesa, assumindo uma postura casual. — E porque Margaret me contou que você chegou antes das faxineiras.
Suspirei, tomando um gole do café forte. Bianca sempre conseguia ler meu estado emocional com uma precisão desconcertante.
— Só tenho muito trabalho para fazer — menti.
— Claro — ela disse em um tom que deixava claro que não estava comprando minha desculpa. — Por acaso tem a ver com certa conversa ontem à tarde em uma sala com paredes de vidro?
Meu olhar se ergueu rapidamente para ela.
— Você viu?
— Anne, metade do escritório viu — Bianca riu baixinho. — Vocês dois ficaram ali por horas, e a tensão era tão palpável que dava para sentir do corredor.
Senti meu rosto esquentar novamente. Isso era ainda pior do que eu imaginava.
Olhei ao redor rapidamente, certificando-me de que ninguém estava prestando atenção, antes de abrir a mensagem.
Wanderer: Você perguntou se estou quebrado emocionalmente. A resposta honesta é sim, provavelmente estou. Meu último relacionamento sério foi há uns cinco anos. Ela queria algo que eu não conseguia dar - estabilidade emocional, compromisso real. Desde então, me acostumei com conexões superficiais, sem riscos, sem vulnerabilidade. É mais fácil manter distância quando você não precisa se preocupar em magoar alguém... ou ser magoado. Mas conversar com você está me fazendo questionar se essa proteção vale a pena.
Li a mensagem três vezes, sentindo algo apertar no meu peito. Wanderer sempre se expressava com tanta eloquência, mas desta vez havia algo mais profundo, mais verdadeiro.
A ideia de que ele se sentia seguro comigo, de que nossa conexão estava ajudando-o a se abrir novamente, criou uma intimidade que eu não esperava sentir com alguém que nunca vi pessoalmente.
Comecei a digitar uma resposta, mas antes que pudesse enviar, outra mensagem chegou.
Wanderer: "Quinta pergunta: Qual foi o momento em que você percebeu que estava realmente vulnerável com alguém? E o que essa pessoa fez para merecer — ou perder — isso?"
Quando foi que me senti verdadeiramente vulnerável com alguém?
A primeira imagem que veio à mente foi Nate, naquele momento no avião quando baixei todas as minhas defesas e me permiti sentir algo por um estranho. E depois, na festa, quando ele sussurrou aquelas palavras sobre meu vestido e eu senti como se ele pudesse ver através de toda minha fachada profissional.
Mas depois havia Wanderer, aqui mesmo, através destas conversas. Eu estava sendo vulnerável com ele agora, compartilhando pensamentos e sentimentos que não dividia com mais ninguém.
Guardei o celular sem responder, sentindo-me estranhamente dividida. Estava tentando entender dois homens diferentes, mas por que sentia como se estivessem ocupando espaços complementares dentro de mim? Nate despertava minha paixão, meu lado mais impulsivo. Wanderer conectava com minha mente, com meus medos e esperanças mais profundos.
Olhei pela janela, observando o movimento de Londres lá fora.
Talvez a questão não fosse escolher entre eles. Talvez a questão fosse descobrir por que precisava de dois homens diferentes para me sentir completa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....