— Alcachofra com limão siciliano? — repeti, tentando soar casual enquanto minha mente corria para processar a informação. — É um sabor bem... exótico.
Antes que pudesse elaborar mais sobre a coincidência perturbadora, a garçonete sorriu e se inclinou ligeiramente em nossa direção.
— Ah, é uma das nossas especialidades da casa há anos — explicou com orgulho evidente. — Quando as pessoas experimentam pela primeira vez, ficam céticas, mas qualquer pessoa que já tenha provado nunca esquece. É um sabor único que marca mesmo.
— É verdade — Sarah concordou, assentindo enfaticamente. — É daqueles sabores que ou você ama completamente ou odeia com todas as forças. Não tem meio termo. Já vi pessoas fazerem careta só de ouvir a descrição.
— Só o Nate ama — Tori comentou com aquele tom ligeiramente provocativo que eu estava aprendendo a reconhecer, tomando um gole de sua água com gás.
Nate riu, mas pude perceber algo ligeiramente nervoso em sua expressão, como se o foco na sua preferência peculiar o deixasse desconfortável. Havia uma rigidez em seus ombros que não estava ali minutos antes.
— Se fosse só eu, não seria uma especialidade da casa — respondeu, tentando desviar a atenção. — Claramente outras pessoas também apreciam combinações mais ousadas na culinária.
Enquanto discutíamos as opções do cardápio - eu optei por uma margherita clássica, tentando manter as coisas simples enquanto minha mente estava em completa turbulência - Oliver continuou com as provocações, claramente se divertindo com a situação.
— Alcachofra nem parece o nome de uma comida de verdade — disse, rindo enquanto fazia uma careta exagerada. — Parece tipo... uma palavra secreta para pedir socorro. "Houston, nós temos uma alcachofra!"
Nate riu genuinamente dessa vez, se virando para mim com aquele sorriso que sempre fazia meu estômago dar voltas, mas que agora carregava um peso diferente.
— Então será a palavra nossa — disse, pegando minha mão por cima da mesa com aquela ternura natural que sempre me desarma.
— Eca — Tori interrompeu com humor característico. — O que vocês andam fazendo para precisar de palavra de segurança?
A mesa inteira explodiu em risadas, e a conversa seguiu para territórios mais leves e provocativos, com Oliver inventando cenários cada vez mais absurdos onde precisaríamos usar nossa "palavra de segurança alcachofra". Sarah acrescentou suas próprias sugestões cômicas, e até mesmo Tori participou da brincadeira com comentários sarcásticos que faziam todos rirem ainda mais.
Mas eu mal conseguia acompanhar as risadas e brincadeiras que ecoavam ao meu redor.
Minha mente estava completamente focada em uma memória muito específica - uma das últimas conversas que havia tido com Wanderer.
"E quem sabe… um dia a gente se encontre por aí. Te convido para uma pizza de alcachofra com limão siciliano — minha favorita."
— Nossa — admiti com genuína surpresa. — É realmente muito gostosa. Muito melhor do que eu imaginava.
— Viu só? — Nate sorriu com uma satisfação orgulhosa, como se minha aprovação validasse todos os anos que havia passado defendendo sua escolha culinária peculiar contra céticos.
— Vocês dois realmente se completam — Tori comentou, observando nossa interação com uma expressão que não consegui decifrar completamente. — Até no gosto aparentemente exótico para comida.
Forcei uma risada que soou artificial até para meus próprios ouvidos, mas a inquietação no meu peito só crescia exponencialmente. Cada coincidência, cada detalhe específico que se encaixava com precisão cirúrgica, estava construindo um quadro que eu desesperadamente não queria aceitar, mas que estava se tornando impossível de negar racionalmente.
Peguei meu celular discretamente embaixo da mesa, meus dedos tremendo quase imperceptivelmente enquanto navegava pelos contatos salvos. O nome estava lá: Wanderer.
Nunca havia conseguido me forçar a deletar nossa conversa completa. Sempre criava desculpas para mim mesma - que mantinha por nostalgia, por curiosidade intelectual, por uma conexão emocional inexplicável que não conseguia racionalizar completamente. Mas agora, olhando fixamente para aquele nome familiar na tela iluminada, sentia como se estivesse prestes a abrir definitivamente a caixa de Pandora.
Cliquei no contato com o coração batendo descompassadamente e digitei muito lentamente, cada letra representando uma pequena traição à inocência e negação que ainda desesperadamente queria preservar:
"Décima pergunta: seu nome é Nathaniel Carter?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....