~ MAITÊ ~
Mais de trinta horas. Foi esse o tempo que durou nossa viagem de volta ao Brasil, contando o voo internacional, as escalas intermináveis e as esperas em aeroportos que pareciam se arrastar por uma eternidade. E durante todo esse tempo, fomos tomados por um silêncio que sufocava.
Não era o silêncio confortável que havíamos aprendido a compartilhar durante nossa semana de paraíso. Era algo pesado, incômodo, carregado de tudo que não foi dito e de tudo que não poderia ser dito. Trocávamos apenas frases curtas e educadas - "Quer água?", "Está confortável?", "Obrigada" - mas nada além disso.
Eu podia sentir a tensão irradiando dele a cada minuto que passava, como se ele estivesse constantemente à beira de romper aquela barreira de silêncio e tentar me convencer novamente. E eu me mantinha rígida, olhando pela janela do avião ou fingindo dormir, porque sabia que se olhasse diretamente para ele, toda minha determinação poderia ruir.
A bolha de paraíso que havíamos construído nas Maldivas tinha realmente estourado. E agora éramos apenas dois estranhos dividindo poltronas em aviões, educados mas distantes, carregando o peso de uma intimidade que não poderia mais existir.
Quando finalmente desembarcamos no Brasil, o clima pesado continuou. Caminhamos lado a lado pelos corredores do aeroporto, nossas malas de rodinhas fazendo o único som entre nós, além do burburinho constante de outros passageiros ao nosso redor.
Foi quando estávamos quase chegando à saída da área de desembarque que Apolo finalmente rompeu o silêncio.
— Não faça isso — disse, sua voz baixa mas carregada de urgência. — Você não precisa voltar para essa vida. Não precisa se casar com ele. Não precisa enfrentar esses perigos.
Parei de caminhar e o encarei, sentindo uma dor aguda no peito ao ver a preocupação genuína em seus olhos.
— Eu não preciso de você para me dizer o que devo ou não fazer — respondi com uma frieza calculada, sabendo que cada palavra era como uma faca, mas também sabendo que era necessário.
Precisava ser cruel de propósito. Precisava afastá-lo sem deixar brechas, sem dar esperanças, sem criar a possibilidade de que ele tentasse me seguir ou se envolver ainda mais na minha bagunça de vida.
Ele recuou ligeiramente, como se tivesse levado um tapa, mas não desistiu.
— Você sabe que isso não é o que você quer — insistiu. — Depois de tudo que vivemos, depois de tudo que você me contou...
— O que vivemos nas Maldivas foi uma fantasia — cortei bruscamente. — E fantasias acabam quando a gente volta para a realidade.
Paramos ali, no meio do fluxo de pessoas, nos encarando em silêncio. Pude ver a dor nos olhos dele, o mesmo tipo de dor que sentia rasgando meu peito por dentro. Mas nenhum de nós verbalizou. Nenhum de nós admitiu o que estava acontecendo.
— É melhor eu sair primeiro — disse finalmente, mantendo a voz prática e lógica. — Caso estejam nos observando...
Era uma despedida disfarçada de estratégia, uma forma de tornar nossa separação lógica em vez de emocional. Mais fácil assim. Menos doloroso.
Apolo apenas concordou com um aceno de cabeça, seus olhos pesados e resignados.
Me virei para ir embora, cada passo sendo uma luta contra o impulso de voltar correndo e aceitar qualquer loucura que ele estivesse disposto a propor. Porque, no fundo, uma parte de mim ainda queria acreditar que podíamos dar certo, que podíamos encontrar uma forma de fazer aquilo funcionar no mundo real.
— Afrodite.
— Maitê — ele repetiu, como se estivesse saboreando.
Me virei novamente para ir embora, sabendo que se ficasse mais um segundo, não conseguiria partir. Mas algo dentro de mim - alguma força que não conseguia controlar - me fez voltar.
Sem uma palavra, me aproximei dele e o puxei para um beijo.
Não foi suave ou gentil. Foi desesperado, intenso, carregado de toda a dor e toda a saudade antecipada que eu já sentia. Minhas mãos se agarraram à camisa dele como se ele fosse minha âncora em um mar tempestuoso.
Aos poucos, o beijo foi se acalmando, se transformando em algo mais suave, mais melancólico. Uma despedida silenciosa. Um último momento de intimidade antes que voltássemos a ser estranhos.
Quando nos separamos, fiquei olhando nos olhos dele por um longo momento, memorizando cada detalhe, cada tom de azul, cada cílio escuro. Então me virei e fui embora de vez, sentindo meu coração se despedaçando a cada passo.
Não olhei para trás. Não podia olhar para trás.
Esse havia sido o único jeito de terminar - duro, mas necessário. Eu não podia arrastar Marco para dentro da bagunça que era minha vida. Não podia expô-lo aos perigos que me esperavam.
Mas enquanto caminhava em direção à saída do aeroporto, levava comigo a lembrança do beijo e a troca dos nomes verdadeiros. Um segredo só nosso. Uma prova de que, mesmo que aquilo fosse realmente o fim, também tinha sido real.
Marco e Maitê. Não mais Apolo e Afrodite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...