~ MAITÊ ~
Zoey me convidou para nos sentarmos na poltrona próxima à janela enquanto Matteo brincava no tapete aos nossos pés, empilhando blocos coloridos com a concentração séria que apenas crianças pequenas conseguem ter.
— Bianca não me explicou muito sobre os detalhes — comecei, observando como ela organizava automaticamente os brinquedos que Matteo espalhava, um gesto maternal tão natural que me fez pensar no meu próprio futuro. — Só disse que Marco está fazendo o máximo para descobrir como nos proteger, a mim e ao bebê.
Zoey assentiu, suas mãos pausando por um momento antes de continuar arrumando os blocos.
— Marco está mobilizando todos os recursos que têm — confirmou, sua voz carregada de uma seriedade que não havia estado presente nos momentos anteriores. — Christian também está envolvido, usando os contatos dele no meio empresarial para entender melhor com quem vocês estão lidando.
A menção a "vocês" me fez engolir em seco. Como se Marco e eu fôssemos uma unidade, um casal, algo consolidado. Quando na verdade eu mal conseguia processar como havia chegado até ali.
— Mas por que isso envolve um vestido de noiva? — perguntei, lembrando das palavras misteriosas de Bianca no apartamento. — Como Bianca mencionou?
Zoey riu, um som que misturava diversão e exasperação familiar.
— Bianca não é nada discreta — disse, balançando a cabeça com afeição. — Ela provavelmente queria criar suspense dramático ao invés de simplesmente explicar.
Matteo escolheu esse momento para derrubar toda a torre de blocos que havia construído, batendo palmas animado com a destruição que causou. O som dos brinquedos caindo ecoou pelo quarto, e por algum motivo aquele barulho inocente me fez sorrir pela primeira vez em horas.
— O vestido de noiva é... — Zoey hesitou, claramente escolhendo as palavras com cuidado — é porque a proteção legal mais forte que Marco pode te oferecer é o casamento.
Senti meu estômago dar um nó. Casamento. A palavra que havia me atormentado por meses, que estava associada a Dominic, manipulação, armadilhas. E agora estava sendo apresentada como solução, como salvação.
— Você pode escolher dizer não — Zoey se apressou a acrescentar, notando minha expressão. — Ninguém vai te forçar a nada. Mas Marco e Christian acreditam que é a melhor maneira de fazer isso. Como esposa dele, você teria proteções legais que não tem agora. E o bebê...
— O bebê estaria protegido — completei, a mão indo instintivamente para o ventre ainda discreto.
— Exatamente.
Respirei fundo, tentando organizar os pensamentos que se atropelavam na minha mente. A lógica era impecável, eu conseguia entender isso. Mas a ideia de me casar com alguém que conheci há tão pouco tempo, mesmo que por razões práticas, mesmo que com alguém que claramente se importava comigo, parecia surreal demais para processar completamente.
— Vou fazer o que for necessário pelo bebê — disse finalmente, surpresa com a firmeza na minha própria voz. — Mas... eu só queria falar com minha prima antes. Ter certeza de que Lívia está bem.
A expressão de Zoey mudou imediatamente, uma sombra de preocupação cruzando seu rosto.
— Maitê...
— Você disse que eu podia falar se precisasse de alguma coisa — a interrompi, lembrando de suas palavras apenas alguns minutos antes. — E é disso que eu preciso. Preciso ter certeza de que minha prima está segura.
Zoey suspirou, pegando Matteo no colo quando ele começou a se dirigir para a porta, claramente entediado com a conversa séria dos adultos.
— Sim — menti. — Estou bem.
Mas a verdade era que nada estava bem. Estava grávida, fugindo de um homem perigoso, prestes a me casar com alguém que mal conhecia, em um lugar onde não sabia quanto tempo poderia ficar. E agora, até mesmo falar com a única pessoa em quem realmente confiava estava fora de questão.
A sensação de estar na mão de desconhecidos era avassaladora. Mas qual era a alternativa? Voltar para Dominic significava entregar meu bebê para um homem que já havia deixado claro que o veria apenas como uma ferramenta de controle. Tentar resolver tudo sozinha era impossível - eu não tinha recursos, conexões ou conhecimento suficiente para enfrentar alguém com o poder e a influência que Dominic claramente possuía.
Então restava confiar. Confiar e torcer para que, desta vez, eu estivesse fazendo a escolha certa.
— O que você tem em mente? — perguntei finalmente para Zoey, minha voz saindo mais fraca do que eu gostaria.
Zoey sorriu, mas havia uma seriedade em seus olhos que me disse que ela entendia exatamente o peso do que estava me pedindo.
— Deixe comigo — disse simplesmente. — Vou garantir que você tenha notícias sobre sua prima. Sem comprometer a segurança de ninguém.
Assenti novamente, mas por dentro, uma voz pequena e assustada sussurrava que estava fazendo tudo errado, que estava entregando controle demais, confiando rápido demais.
Talvez fosse paranoia. Ou talvez fosse instinto de sobrevivência.
Só o tempo diria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....
Uma semana sem desbloquear os capítulos...
Não vão desbloquear o restante dos capítulos?...
Ja tem uns 2 dias que não desbloqueiam os capítulos, parou no capítulo 714 e nada... Afff...