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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 677

~ BIANCA ~

A porta estava trancada. O clique ainda ecoava na minha cabeça como um aviso: ninguém ia entrar aqui por acidente. Do lado de fora, o barulho abafado do evento seguia vivo — risadas, passos, um microfone em teste.

Aqui dentro, eu era só uma mulher tentando não desabar.

Já Renata, estava confortável demais. Encostada na pia com a postura de quem se sente dona do lugar, como se banheiro de evento fosse extensão do mundo dela.

Eu dei mais um passo para dentro do banheiro. Não para encurralá-la — eu não precisava disso. Para deixar claro que eu não ia recuar só porque ela se alimentava de recuo.

— Eu sei muito bem o que você quer — eu comecei. — E já vou adiantar: você nunca vai conseguir um centavo do meu dinheiro.

— Ah… — ela soltou, quase satisfeita. — Que fofa. A bilionária acha que o centro do universo é a conta bancária dela.

Aquilo seria engraçado se não fosse calculado. Se ela não estivesse tentando me reduzir a uma caricatura: a rica intocável que compra tudo e, portanto, merece ser roubada.

Eu respirei pelo nariz. Devagar. Controlado.

— Você pode armar a luta que for, Renata. — Eu mantive o tom limpo, direto, sem subir um decibel sequer. — Mas a gente vai lutar do jeito certo. Do jeito que importa. Porque nós sabemos que a justiça está do nosso lado.

Eu disse “nós” e senti o peso da palavra. Nico. Bella. Meu bebê.

Renata inclinou a cabeça, como quem ouve alguém falando de fadas.

— A justiça? — ela repetiu devagar. — A justiça está sempre do lado da mãe.

Eu senti uma náusea rápida subir — não sei se era gravidez ou ódio. Talvez os dois tivessem a mesma textura: algo quente e inevitável no fundo do estômago.

— Não quando essa mãe tenta matar a madrasta — eu retruquei, e senti a palavra madrasta raspar na garganta com ironia amarga. — Não quando essa mãe coloca fogo na casa em que a filha está dormindo. Não quando essa mãe usa discurso barato de alienação parental pra enfiar veneno na cabeça da menina. E depois ainda posa de vítima.

Eu vi o sorriso dela congelar por meio segundo.

Renata descruzou as pernas devagar, como se estivesse levantando de uma cadeira invisível. A voz dela ficou mais baixa, mais “técnica”, como se ela estivesse me fazendo um favor jurídico.

— Cuidado com o que você diz — Renata falou, com uma doçura artificial. — Você vai ter que provar cada acusação.

Ela deu um passo para o lado, como se estivesse num tribunal e não num banheiro.

— Porque, se você não provar, eu adiciono mais um processo no pacote: calúnia e difamação.

— Eu adoraria ver você tentar.

Renata ergueu as sobrancelhas, satisfeita por eu ter entrado no jogo. Era isso que ela queria: me tirar do lugar seguro, do lugar de respostas bonitas e postura impecável. Me fazer reagir. Me fazer virar “a Bellucci histérica” para que o mundo acreditasse que ela era só “a mãe desesperada”. Eu sabia disso. E ainda assim não conseguia não fazer exatamente o que ela tinha planejado, porque a raiva estava tomando conta de mim pouco a pouco.

— Não, Bianca… — ela corrigiu, com calma demais. — Eu gostaria de ver você tentar.

Ela deixou a frase cair e observou meu rosto, esperando o primeiro tremor. Esperando que eu lembrasse que eu estava grávida, que eu tinha uma marca, uma reputação, uma empresa, um conselho, um sobrenome que não podia se dar ao luxo de perder o controle num banheiro.

Só que ela não estava falando do meu controle. Ela estava falando da minha vida.

— Aliás… — Renata continuou, cruzando os braços, como se fôssemos duas mulheres conversando sobre um assunto banal. — Eu estou gostando de ver você tentando tudo o que pode pra fazer a Bella ficar com você e com o Nico.

Ela disse o nome da Bella como se dissesse um objeto. Como se fosse um troféu que ela podia tirar da estante a hora que quisesse.

— Você tá acostumada a ter tudo o que quer, não tá? — ela prosseguiu. — A comprar tudo o que quer.

O olhar dela me varreu de cima a baixo, sem pressa, como se meu corpo fosse argumento.

— E agora quer comprar uma família. Quer comprar uma criança.

Meu sangue subiu, quente, violento, e eu senti minhas mãos fecharem sozinhas em uma tentativa de segurar o próprio instinto.

— Não vai funcionar assim — ela continuou. — Você pode ter dinheiro. Pode ter sobrenome. Pode ter esse palco inteiro te batendo palma…

Capítulo 677 1

Capítulo 677 2

Capítulo 677 3

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