Entrar Via

Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 678

~ BIANCA ~

Eu saí do banheiro como se nada tivesse acontecido.

A porta fechou atrás de mim com um clique macio, quase educado, e eu caminhei pelo corredor estreito sem olhar para trás — mesmo com o gosto metálico de sangue insistindo no canto da boca.

Passei o dorso da mão ali, disfarçando o gesto como quem ajeita um fio de cabelo.

Vermelho.

Um filete mínimo, mas o suficiente para me lembrar que eu tinha ultrapassado uma linha que eu evitava atravessar desde sempre.

Eu não gostava de briga física.

Não porque eu fosse fraca — longe disso — mas porque, em noventa e nove por cento das vezes, você resolve tudo com uma conversa.

Só que Renata era o meu um por cento.

Renata tinha o talento nojento de transformar o ar em lâmina. De achar, com precisão, o ponto exato que faz uma pessoa inteligente perder a inteligência por dois segundos.

E se me faziam entrar numa briga…

Bem.

Eu não podia fazer feio.

Essa era uma habilidade que você desenvolve quando cresce sendo empurrada contra armários por gente que acha engraçado o fato de você ser “filha da amante”. Quando aprende cedo demais que chorar em público vira esporte alheio. Quando percebe que o mundo não tem paciência para meninas que baixam a cabeça.

Eu não me orgulhava disso.

Tá. Talvez… um pouco.

Porque Christian tinha me ensinado uma coisa que eu nunca esqueci: se você não souber se defender, os outros sempre vão te encurralar. E se você deixa uma vez, você vira o tipo de pessoa que eles sempre tentam de novo.

Então eu aprendi.

A me defender com palavras.

Com dinheiro, quando precisava.

E com socos, quando não havia mais nada que fosse suficiente.

Renata, caída no chão do banheiro, tinha acabado de entender isso do jeito mais direto possível.

Eu continuei andando.

As pessoas ao redor riam, conversavam, cruzavam com taças e perfumes como se eu não tivesse acabado de travar uma guerra numa sala de azulejos. Eu mantive o queixo no lugar. Ombros para trás. Passo firme. Olhar de quem ainda pertence ao ambiente.

Era assim que você sobrevive.

Você não “aparece” ferida.

Eu já estava a poucos metros da saída lateral — a que dava acesso mais rápido ao elevador e ao estacionamento — quando uma das organizadoras me interceptou com um sorriso ansioso.

Lara. Eu lembrava o nome porque ela tinha me dito quatro vezes e cada vez com um nível diferente de nervosismo.

— Bianca! — ela disse, quase sem fôlego, segurando o celular e uma pastinha. — Desculpa te parar, eu sei que você já estava indo, mas… a palestra foi perfeita. A gente queria só mais duas fotos pra imprensa local e uma pro nosso material institucional.

Eu parei.

O sorriso dela vacilou no instante em que ela me enxergou direito.

O olhar desceu para minha boca. Para a lateral do meu rosto. Para a leve marca vermelha no pescoço.

— Meu Deus… Bianca. O que aconteceu?

Eu senti o impulso de dizer a verdade. O impulso de enfiar o nome Renata na frase como quem enfia uma faca.

Mas eu sorri.

Capítulo 678 1

Capítulo 678 2

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )