~ RENATA ~
O chão do banheiro estava frio o suficiente para me lembrar que eu era humana.
O gosto metálico na minha boca não ajudava.
Eu pisquei devagar, tentando organizar as imagens que ainda vinham em flashes — o estalo, o peso do corpo dela avançando, a fúria nos olhos da Bianca Bellucci como se ela tivesse passado a vida inteira treinando exatamente para aquele segundo.
Eu não tinha previsto isso.
Eu tinha imaginado a Bianca como eu sempre imaginei mulheres como ela: bonitas demais para suarem, educadas demais para morderem. Gente que apanha com classe e depois compra o silêncio do mundo com cheque.
Mas ela… ela tinha briga no corpo.
E pior: briga que humilha.
Não era só dor física. Era a sensação de ter sido colocada no meu lugar como se eu fosse pequena. Como se eu fosse descartável. Como se eu fosse patética.
Eu apertei os dentes.
A dor subiu pela minha têmpora, latejando, e eu respirei pelo nariz, devagar, como se respirar com calma pudesse impedir a realidade de existir.
Não.
Eu não ficava por baixo.
Eu nunca fiquei por baixo.
A diferença entre mim e as outras pessoas era simples: quando eu perdia, eu não aceitava a derrota como fim. Eu aceitava como como ajuste de rota.
E ali, deitada naquele chão, eu senti a rota se redesenhando com uma clareza quase deliciosa.
Bianca tinha cometido um erro.
Ela tinha saído do papel de perfeição.
E isso… isso era uma brecha. Uma rachadura. Um convite.
O problema era outro, e ele era irritante: uma briga “comum” não vira guerra jurídica sozinha.
Duas mulheres no banheiro? O mundo ia rir.
“Briga por homem.”
“Ciúme.”
“Escândalo.”
E eu já ouvia o tom de fofoca, o julgamento barato, o prazer coletivo de reduzir tudo a novela.
Só que eu não estava disputando um homem.
Eu estava disputando poder.
E poder não se ganha com uma história meia-boca.
Eu não precisava que o mundo risse.
Eu precisava que o mundo… se compadecesse.
Eu passei a língua pelos lábios e senti o corte arder.
A dor era real. Ótimo. A realidade sempre foi uma matéria-prima útil.
Eu apoiei as mãos no chão e me sentei com cuidado, o corpo reclamando em vários lugares ao mesmo tempo. Olhei ao redor. O banheiro era bonito, caro, impecável — até eu e ela entrarmos nele.
Eu me levantei devagar, encostei as mãos na pia e fiquei me encarando no espelho grande sobre a pia que refletia meu estado com crueldade: maquiagem borrada, olhos brilhando de raiva, um vermelho na boca que não era batom.
Patética, uma parte de mim sussurrou.
Eu ignorei.
— Isso não vai ficar assim — eu murmurei, e foi uma promessa.
Porque eu conhecia o mundo.
Eu ouvia vozes abafadas do lado de fora, o som distante de música e gente feliz. O mundo continuando como se ninguém tivesse acabado de começar uma guerra numa pia de mármore.
Então a porta abriu.
Passos.
Um suspiro alto, chocado, como se o ar tivesse sido arrancado da pessoa.
— Ah, meu Deus… — a voz de uma mulher. — Meu Deus! Senhora?!
Eu abri os olhos devagar, como se fosse difícil manter a consciência.
Ela já estava ajoelhada ao meu lado, mãos tremendo sem saber se tocava em mim, olhando ao redor como se procurasse o culpado escondido dentro do azulejo.
— O que aconteceu? — ela repetiu, desesperada. — Quem fez isso com você?
Eu deixei o olhar se perder por um segundo — teatro mínimo, porque a dor ajudava a vender — e quando foquei nela, a minha voz saiu rouca, quebrada do jeito certo.
Eu nem precisei forçar a dor através da voz.
Porque estava doendo.
— Chama… — eu sussurrei. — A polícia… por favor…
A mulher levou a mão à boca, horrorizada.
— Sim, sim... claro... eu...
Eu segurei o pulso dela com a força exata para parecer desespero.
— Eu preciso… denunciar… — eu continuei, respirando como se cada palavra custasse. — Quem… fez isso.
Eu deixei a frase morrer antes do nome.
Não por falta de ar — por método.
Bastava apontar o cenário, bastava deixar o “aqui” e o “agora” fazendo o trabalho por mim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...