~ BIANCA ~
A pergunta caiu na cozinha como um copo de vidro no mármore: não fez barulho nenhum aqui dentro da adega, mas eu senti a vibração atravessar o meu corpo.
Nico não respirou.
Eu vi pelo jeito como os ombros dele endureceram, como se o ar tivesse virado pesado demais para entrar.
Bella respondeu rápido demais.
— Da mamãe.
Sem pausa. Sem aquele “hm” de criança pensando. Sem o “posso falar outra coisa?” que ela costumava usar quando estava dividida entre duas vontades. Foi seco, limpo, imediato. Uma resposta que parecia… pronta.
Nico fez um som baixo, quase um engasgo, como se tivesse levado um golpe no estômago e ainda estivesse tentando manter o peito em pé. A mão dele foi até a parede, procurando apoio enquanto seus joelhos cediam. Eu me ajoelhei ao lado dele na mesma hora, sem pensar.
— Calma — eu sussurrei, bem perto. — Calma. Não quer dizer nada. Ela te ama.
Ele me olhou, e naquele olhar tinha uma dor tão crua que por um segundo eu senti raiva de mim mesma por ter acreditado que “a gente dá um jeito” era uma frase suficiente para tudo.
— Ela disse rápido — ele murmurou. — Rápido demais.
— Eu sei. — Minha mão subiu para o antebraço dele. — Mas ela é criança. E… — eu engoli seco antes de dizer o nome — a Renata sabe como apertar as teclas certas.
Nico fechou os olhos por um instante, como se quisesse apagar a imagem da própria filha dizendo aquilo.
— Ainda assim… tem peso, não tem? — ele perguntou, a voz saindo baixa e quebrada. — Esse tipo de coisa tem peso.
Eu respirei uma, duas vezes, para manter o meu tom firme e não deixar o pânico me dominar.
— Tem — eu admiti. — Mas peso não é sentença. A gente vai provar o que ela está fazendo.
Ele soltou uma risada curta, sem humor nenhum.
— Como? Ela não deixa rastros, Bianca.
Eu olhei para ele, sem piscar.
— Todo mundo deixa rastros — eu disse. E a minha voz saiu mais dura do que eu pretendia, porque eu estava com ódio. — Só precisa saber onde procurar.
Nico abriu a boca como se fosse discutir, como se fosse dizer que eu estava sendo otimista demais… mas, antes, a cadeira da cozinha arrastou. O som veio filtrado pelo vão de ventilação, nítido o suficiente para nos lembrar de que o mundo real ainda estava acontecendo a poucos metros.
Eu fiz um gesto pequeno com a mão, quase uma ordem silenciosa.
Agora se levanta.
O avaliador não ia embora sem falar com nós dois. E, por mais que doesse, a pior coisa que Nico podia fazer era chegar na sala com cara de alguém implorando.
Eu me levantei primeiro. Ele veio logo atrás, engolindo o que quer que estivesse queimando por dentro.
Saímos da adega e foi quase ridículo pensar que eu conhecia cada detalhe daquela casa e ainda assim, naquele momento, ela parecia estranha. Como se eu tivesse que caminhar por um lugar que já era meu com permissão emprestada.
A sala estava exatamente como eu tinha deixado: arrumada demais, limpa demais, com a mesa de centro sem nada fora do lugar. Tudo parecia “pronto para uma avaliação”, como se a casa também estivesse tentando provar que era segura.
Nico sentou no sofá. Não porque quis. Porque o corpo dele precisava de um lugar para cair sem cair de verdade.
Eu fiquei em pé.
Andei para um lado, para o outro, tocando uma almofada que nem precisava ser ajeitada, endireitando uma revista que estava reta. Se alguém olhasse, diria: Bianca Bellucci nervosa. Eu preferia que parecesse energia.
Bella chegou na sala primeiro, com o passo pequeno e a expressão neutra — aquela neutralidade nova que me dava arrepios desde o dia do “você não é minha mãe”.
Atrás dela, o homem de terno surgiu com uma pasta fina e um sorriso profissional. Não era um sorriso ruim. Era o sorriso de quem já viu famílias demais e aprendeu a não prometer nada com a expressão.
— Obrigado — ele disse, com um aceno cordial. — Eu sei que esse tipo de visita causa ansiedade. Vocês foram colaborativos, e isso conta.
“Isso conta.” Eu quase ri. Como se o amor pudesse virar ponto em uma tabela.
Ele continuou, num tom treinado para soar humano e institucional ao mesmo tempo:



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....