~ BIANCA ~
O telefone ainda estava quente na minha mão quando eu desliguei.
Por um segundo, eu fiquei parada na sala, vendo Bella encolhida no abraço do Nico, como se aquele gesto fosse o único lugar seguro do mundo. E talvez fosse mesmo.
Eu não podia jogar “incêndio” em cima daquilo sem antes preparar o chão.
Fiz um sinal curto para Nico e ele entendeu na hora.
— Filha, escolhe um desenho — ele disse, baixo, como quem sugere uma coisa normal. — A gente já volta, tá?
Bella assentiu sem olhar muito, o controle na mão, o dedo passando pelas opções com uma seriedade que me partiu por dentro. Criança quando tenta ser “forte” vira adulta por alguns segundos e isso nunca devia ser necessário.
Eu e Nico fomos para a cozinha.
— Era o Dante — eu disse.
Nico passou a mão pelo rosto, já cansado antes de ouvir.
— O que foi agora?
— Ele ligou da Tenuta. Algo sobre o incêndio.
Eu vi a mandíbula dele travar.
— O quê exatamente?
— Ele não disse por telefone. Só… — eu respirei, sentindo o peso do que eu estava repetindo — que era uma novidade importante. E que a gente ia querer ir pra lá.
Nico ficou alguns segundos calado, e eu vi o corpo dele reagir antes da voz: ombros descendo, como se fosse tudo que ele não precisava. E era.
Mas ele era Nico.
— Tá. — Ele soltou o ar devagar. — Eu vou ligar pra minha mãe. Pedir pra ela ficar com a Bella.
Eu mordi o lado de dentro da bochecha, pensando rápido.
— Ou… — eu disse, e a ideia saiu quase antes de eu decidir — a Bella pode ir com a gente.
Nico me olhou como se eu tivesse proposto levar um vaso de cristal para o meio de uma tempestade.
— Bia…
— Eu sei. — Eu levantei a mão, pedindo um segundo. — Eu sei que ela ainda pode estar… pouco receptiva comigo. Mas talvez justamente por isso.
Ele ficou quieto, esperando eu terminar.
— A Tenuta é um lugar que ela gosta. É aberto, tem espaço, tem cheiro bom… tem lembrança. E a gente não precisa transformar isso num “programa sério”. Pode ser… só uma ida. E depois a gente faz algo legal com ela. Um gelato, sei lá. O que ela quiser.
Nico franziu a testa.
— Você tem certeza? — ele perguntou, e tinha honestidade ali. — Depois de tudo… ela pode te cortar de novo.
Eu engoli seco.
— Então a gente precisa mudar isso — eu disse. E era verdade. — Eu não vou ganhar essa guerra tentando ser invisível. E eu também não vou deixar a Renata decidir que tipo de família a gente pode ser.
Ele me estudou por um segundo. Aí assentiu.
— Tá. — A voz dele ficou mais firme. — Então vamos.
Voltamos para a sala como dois adultos fingindo normalidade.
— Bella — Nico chamou, com a voz mais leve que conseguiu. — A gente vai dar uma volta rápida na Tenuta. O Dante ligou… parece que tem uma coisa pra ver lá. Você quer ir junto?
Bella virou devagar. O olhar dela passou por mim como se eu fosse uma pergunta sem resposta.
Eu me abaixei um pouco, para ficar na altura dela.
— Se você não quiser, tudo bem — eu disse, antes que ela sentisse que era obrigação. — Mas… tem uva. E espaço. E você pode escolher a música no carro.
O canto da boca dela se mexeu, como se estivesse considerando com seriedade.
— Eu posso escolher a música? — ela perguntou.
— Pode — Nico confirmou, rápido. — Mas sem repetir a mesma cem vezes.
— Mas você repete — ela retrucou, e eu vi o primeiro lampejo da Bella “normal” aparecer.
Nico fez uma careta teatral.
— Eu sou consistente. É diferente.
Ela soltou um arzinho pelo nariz. Quase uma risada.
Eu guardei aquilo como quem guarda água no deserto.
Minutos depois, estávamos no carro.
Nico dirigia com aquela concentração de quem está tentando segurar o mundo com as duas mãos. Eu no banco do carona, Bella atrás, com o cinto ajustado.
Ela escolheu uma música qualquer — infantil, repetitiva — e eu deixei.
Os primeiros quilômetros foram silêncio confortável e desconfortável ao mesmo tempo.
— Você quer parar pra comprar aquele doce que você gosta no caminho? — perguntei, virando um pouco o corpo no banco, só o suficiente pra ela me ouvir sem sentir que eu estava “em cima”.
Bella olhava pela janela como se a paisagem fosse mais interessante do que qualquer pessoa dentro do carro.
— Não.
Nico segurava o volante com força demais para alguém que dizia estar bem. Eu via isso no jeito como os dedos dele ficavam brancos e depois voltavam à cor, como se ele estivesse apertando e soltando um pensamento.
Eu tentei outra.
— Na Tenuta tem aquele caminho de pedrinhas… a gente pode andar de bicicleta.
— Tanto faz.
Não era grosseria, era defesa. Bella estava sendo exatamente o que uma criança faz quando não quer dar acesso: econômica.
Fiquei quieta por alguns segundos, respeitando o “tanto faz” como quem respeita uma porta fechada.
— Legal.
E depois, com uma seriedade absurda, ela soltou:
— Então eu quero que se for menino se chame… Trovão.
Eu arregalei os olhos.
Nico tossiu uma risada que tentou esconder.
— Trovão? — eu repeti, sem conseguir evitar o tom.
— Ninguém vai mexer com ele.
Nico mordeu o lábio.
— E se for menina?
Bella não pensou nem meio segundo.
— Princesa Glitter.
Ri. Ri de verdade. Aquela risada que faz o ar voltar para o lugar.
Nico também riu, e foi uma risada que eu não ouvia há dias — leve, quase livre.
— Tá — ele disse, recuperando o fôlego. — Vamos fazer uma lista.
— Eu fiz — Bella respondeu, ofendida. — Já tem dois.
— Uma lista maior — Nico corrigiu. — Com nomes que a gente possa falar em público sem a polícia prender a gente.
Bella fez um som indignado.
— A polícia não prende por nome.
— Você que pensa — Nico retrucou, e eu vi a Bella quase sorrir de novo.
Quando finalmente chegamos na Tenuta, o portão parecia mais imponente do que nunca, como se estivesse guardando segredos de família junto com as vinhas.
O carro mal parou e Dante já vinha andando rápido na nossa direção.
Ele cumprimentou Nico com um aceno e olhou para Bella com um sorriso rápido, gentil.
— Oi, princesa.
Bella deu um “oi” tímido e grudou um pouco mais no banco, observando.
Eu desci primeiro, sem paciência para rodeio.
— Dante… o que aconteceu?
Ele olhou para mim com aquela calma de “vamos por partes”. Ele estava sério. Sério de verdade.
— Parece que nossos detetives têm uma forte evidência sobre o culpado de iniciar o incêndio. Vocês vão querer ver isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....