~ NICO ~
A recepcionista olhou para a tela, depois para mim, e eu vi na expressão dela aquele segundo de avaliação que todo mundo faz quando a urgência não é a própria urgência.
— Um momento, senhor — ela disse.
Eu senti a mão da Bianca na minha, firme, como se ela estivesse me segurando no chão. Eu não olhei para ela. Se eu olhasse, eu ia quebrar de um jeito que não podia.
A recepcionista fez um gesto para uma enfermeira no corredor. A enfermeira veio rápida.
— Eu vou acompanhá-los — ela falou.
Eu não perguntei para onde, só fui.
O corredor parecia comprido demais. Cada porta que passava era um lembrete de que a vida do lado de dentro dessas paredes podia mudar em segundos.
Eu tentei me manter respirando.
A enfermeira parou em frente a uma porta. Olhou uma prancheta, conferiu.
— É aqui.
Eu abri antes que ela terminasse a frase.
E, por um instante, tudo que eu vinha segurando dentro de mim caiu no chão.
Bella estava sentada na cama, com uma bandejinha no colo e uma tigelinha de gelatina tremendo sob a luz branca. Havia uma enfermeira ao lado, observando com aquela calma de quem já viu mil pais desesperados e sabe que, às vezes, a melhor coisa que você pode oferecer é normalidade.
Ela parecia… bem.
O cabelo preso de qualquer jeito, o pijama do hospital folgado, a boca com uma pontinha de gelatina. Olhos atentos. Sem marcas aparentes. Sem aquele ar de criança quebrada que eu vinha imaginando no pior lugar da minha cabeça.
E então ela me viu.
O rosto dela acendeu como se alguém tivesse ligado uma lâmpada.
— Papai!
Ela pulou da cama antes que qualquer adulto pudesse pensar em dizer “devagar” e se jogou em mim com o corpo inteiro.
Eu a peguei no ar.
O peso dela no meu peito foi a coisa mais real do mundo.
Eu senti o cheiro dela — shampoo barato do hospital, gelatina, infância.
— Meu amor… — eu consegui dizer.
A voz falhou no meio.
Bella apertou os braços em volta do meu pescoço com força demais para uma criança pequena.
— Eu sabia que você vinha — ela disse, abafado, como se fosse óbvio.
Eu fechei os olhos por um segundo.
Quando abri, vi Bianca atrás de mim, pálida, os olhos brilhando de um jeito que eu conhecia bem: alívio com culpa misturado.
Bella virou o rosto para ela e esticou a mão.
— Tia Bia!
Bianca deu um passo, e Bella puxou.
Eu vi o gesto pequeno, quase automático: a Bella fazendo Bianca existir na mesma cena que eu, como parte daquilo. Como parte da família.
Eu abaixei a filha com cuidado no chão, ainda segurando pela cintura.
— Meu amor… você tá bem? — eu perguntei, e a pergunta saiu cheia de coisas que eu não sabia colocar em palavras. — O que…
Eu olhei para a enfermeira no quarto.
— O que aconteceu?
A enfermeira que estava ao lado da cama se aproximou um pouco, mantendo o tom neutro.
— Isabella veio para uma avaliação geral depois de um episódio… de estresse — ela explicou. — Mas ela está ótima. Exames básicos normais. Foi mais para garantir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....