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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 723

~ NICO ~

Os dias foram passando e as semanas também.

No começo, eu media o tempo pelo medo.

Pelo telefone que podia tocar de novo. Por uma notificação jurídica. Por uma manchete. Por um carro estacionado tempo demais na frente do prédio. Pela sensação de que a vida estava apenas emprestada.

Depois, sem que eu percebesse quando exatamente aconteceu, eu comecei a medir o tempo por outras coisas.

Pelo horário em que a Bella acordava e ia direto para a cozinha, descalça, com o cabelo espetado. Pela rotina que a Martina montou como quem reconstrói uma casa com as próprias mãos. Pelo jeito que a Bianca passou a organizar pequenos detalhes do cotidiano.

E pelo som do riso da minha filha voltando a existir sem medo.

A guarda tinha começado como temporária.

Uma medida de urgência, uma “residência provisória”, palavras que parecem neutras no papel e que, na vida real, significam: segure sua filha com força, mas não confie ainda.

Só que provisório, com a Bella, nunca foi provisório.

Ela não teve a menor dificuldade em se adaptar à vida ao nosso lado de novo.

Eu, por outro lado, tive.

Porque eu ficava esperando o momento em que ela ia desmoronar, ou regredir, ou perguntar alguma coisa que eu não soubesse responder.

O momento em que o trauma ia exigir pagamento.

Mas a Bella… a Bella parecia uma criança que estava finalmente respirando.

Ela voltou a dormir a noite inteira. Voltou a comer sem olhar para a porta como se alguém fosse aparecer. Voltou a falar do colégio, das amigas, do que tinha sonhado.

Eu não vou dizer que foi fácil.

A Bianca e a minha mãe foram a minha muralha nos dias em que eu queria quebrar qualquer coisa com as mãos.

A Bianca, com a frieza certa no lugar certo: falando com advogado, organizando documentos, mantendo o processo andando sem virar circo. Sem euforia, sem comemoração antes da hora.

A Martina, com o tipo de amor que não discute nem negocia. Ela simplesmente pegou a Bella para si, como se dissesse ao universo: esta criança tem casa. Tem sopa. Tem cama. Tem colo.

E eu… eu aprendi a ser pai com menos medo.

O que era guarda temporária virou guarda permanente.

Não foi uma vitória dramática, com fogos e lágrimas em tribunal. Foi uma sequência de etapas que o mundo chama de burocracia e que eu chamo de sobrevivência.

A confirmação judicial de que Renata colocou a segurança da Bella em risco e praticava alienação parental foi mais do que o suficiente para eu recuperar a guarda definitiva.

O advogado dela até conseguiu que Renata tivesse visitações assistidas.

Mas isso exigia presença.

Exigia esforço.

Exigia encarar o que tinha feito.

E nada disso interessava a ela.

Então Renata simplesmente sumiu no mundo outra vez.

Vendeu a casa em Montepulciano e desapareceu.

Só que, dessa vez, a Bella não ficou com o peso de achar que a mãe foi embora porque era mais feliz sem ela.

Dessa vez, o mundo inteiro tinha visto.

Dessa vez, o abandono não tinha espaço para virar narrativa romântica.

E, por mais que eu odiasse o que ela tinha feito, eu soube reconhecer uma coisa: era melhor assim.

Numa noite qualquer, semanas depois, eu estava deitado ao lado da Bianca, e o silêncio do apartamento já não parecia ameaça.

Era só silêncio.

Eu fiquei olhando para o teto e pensei em como minha vida podia ter quebrado de vez e, mesmo assim, estava ali.

Bianca estava deitada de lado, de frente para mim, o cabelo espalhado no travesseiro. Eu passei os dedos pela cintura dela, sentindo a barriga já mais presente, e pensei na Chiara como uma realidade concreta, não como esperança.

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