Cap.63
Brenda arregalou discretamente os olhos, escutando cada palavra. Apesar da dor que carregava por dentro, não conseguiu evitar que o coração acelerasse ao perceber o impacto real do sistema. Gabriel, ao seu lado, manteve a expressão contida, mas um brilho orgulhoso transparecia em seus olhos.
Andrews, que até então se mantinha com um sorriso discreto, levantou a mão pedindo silêncio. A sala obedeceu de imediato.
— Senhores… o sistema que vocês estão vendo não é apenas eficiente. Ele é único, inédito no mercado. Cada departamento está conectado, cada funcionário terá sua assinatura pessoal para autenticar processos. É cem por cento automático, mas personalizado e claro... que algo desse tipo também tem seus riscos, afinal é algo que controla toda a empresa, e por isso conta também com um sistema de segurança rigoroso contra vazamento de dados.
O burburinho recomeçou, ainda mais entusiasmado.
— Extraordinário…
— Quem diria, Andrews, você colocou nossa empresa anos à frente da concorrência!
Foi então que Andrews endireitou os ombros e lançou o golpe final, com a satisfação de quem guardara o trunfo para o momento certo.
— Permitam-me apresentar os responsáveis. — Ele virou-se lentamente, apontando para Brenda e Gabriel. — Os principais desenvolvedores desse sistema. E, acima de tudo… o criador do produto, Gabriel e como devo apresentar, vocês já sabem que ele é meu cunhado, mas não por isso ele estar aqui, mas porque ele é um gênio em ascensão e claro que eu queria ser o primeiro a aproveitar essa oportunidade.
Um silêncio pesado caiu por um segundo, seguido de aplausos fortes e comentários admirados.
— Um jovem gênio…
— Então foi você? Inacreditável!
— Vocês dois nos colocaram na vanguarda, meus parabéns.
Brenda sentiu o rosto corar diante dos olhares. Gabriel, apesar de tentar disfarçar, deixou escapar um sorriso de canto de boca, misto de orgulho e determinação.
Enquanto os aplausos ecoavam, Andrews se recostou, satisfeito. Ele sabia que, naquele momento, tinha colocado sua empresa no centro do mercado e que Brenda e Gabriel haviam se tornado as peças-chave dessa conquista.
A noite tinha sido longa. Depois da reunião e do evento comemorativo, Brenda já estava exausta.
A mente pesada, o coração em conflito. Ela recusou os convites de colegas para prolongar a celebração, despediu-se rápido e pediu para ir embora.
Gabriel insistiu em acompanhá-la, e ela não negou, embora mal tenha dito uma palavra durante todo o caminho.
Quando chegaram ao portão da casa de tia Magda, ambos se surpreenderam. Os pais de Brenda estavam ali, parados na calçada, e junto deles estava a mala dela, como se já estivesse tudo decidido.
— O que vocês estão fazendo aqui? — Brenda perguntou, a voz embargada.
Sua mãe, com expressão firme, respondeu de imediato:
— Você vai voltar para casa conosco.
Brenda piscou, confusa.
— Como assim? Eu… eu moro aqui agora.

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