— Eu caí.
Saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar em algo melhor. O que, pensando bem, era a resposta mais idiota possível para a pergunta mais óbvia do mundo. Ele tinha entrado pela porta com aquele olhar de quem largou tudo o que estava fazendo no segundo em que soube, e o melhor que eu tinha para oferecer era "eu caí".
Mas o que mais eu podia dizer? Que fiquei tonta, provavelmente por ter bebido mais do que comido a manhã toda, e minhas pernas pararam de responder à minha cabeça? Ou que, claro, podia ter sido pela gravidez também?
Qual gravidez? Aquela que eu não podia estar contando para ele. Porque Genevieve tinha me dito um monte de coisas que eu não podia revelar, e eu tinha passado os últimos minutos antes de ele entrar tentando montar na minha cabeça qual versão da verdade eu podia oferecer sem mentir completamente e sem revelar o que ainda não podia ser revelado.
Não tinha chegado a uma conclusão satisfatória.
— Eu sei, meu amor. Mas o que aconteceu?
Meu...
Amor.
Arthur nunca tinha me chamado de meu amor antes. E eu fiquei parada por um segundo tentando decifrar aquilo — se tinha sido um "meu amor" que saiu natural pela preocupação, daquele tipo que a gente usa quando está com medo e o carinho escapa antes que a razão tenha chance de filtrar. Ou se era um "meu amor" do tipo que ele usava com as crianças que atendia no hospital, aquele tom suave e contido de quem quer acalmar sem assustar. Ia me dar um doce depois?
Decidi que não era hora de analisar isso.
— Eu disse pra Zara que ela precisava maneirar na bebida, mas ela não me ouve — Genevieve interrompeu, com aquela naturalidade de quem tinha ensaiado a fala. — Bebeu mais do que comeu o dia todo. Acabou desmaiando.
— É, mas já estou bem. — Comecei a desconectar os cabos em mim, dessa vez de verdade. — Vamos pra casa.
— Hey, hey. — Arthur protestou, empurrando-me levemente de volta para o leito com uma firmeza que não deixava margem de negociação. — Quem te deu alta?
— Você! — Protestei. — Pode fazer isso, não pode? Quero ir embora logo.
— Enquanto você estiver agindo como uma criança birrenta, posso sim, final sou pediatra. Mas não vou.
Revirei os olhos deliberadamente, o que ele ignorou com a mesma serenidade com que ignorava a maioria das minhas tentativas de provocação.
— Vou deixar vocês sozinhos. — Genevieve se levantou, me deu um beijinho no rosto e outro no de Arthur. — Fica bem, tá? Me manda notícias.
Mas quando ela estava passando por trás do ombro de Arthur, virou o rosto na minha direção por uma fração de segundo e me deu uma piscadinha.
Rápida. Quase imperceptível. Do tipo que só existe se você estiver olhando para o lugar certo na hora certa.
Mas suficiente para dizer tudo o que precisava dizer sem palavras. Primeiro: faz o que combinamos. Segundo: vou garantir que ninguém mencione a gravidez para Arthur. O sigilo médico existe para isso. Pode respirar, Zara.


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