Entrar Via

INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 109

— Você é meio puta...

— Eu sou completamente puta! — Alícia me corrigiu, sem hesitar.

Caímos na gargalhada juntas. Uma risada que saiu mais alta do que eu esperava, ecoando naquele quarto pequeno de um jeito que parecia errado e certo ao mesmo tempo.

Depois paramos, quase simultaneamente, nos olhando com aquela consciência incômoda de duas pessoas que percebem que estão sendo cordiais uma com a outra quando a narrativa inteira delas dizia que não deveriam ser.

Ficou um silêncio estranho. Não o silêncio tenso de antes, mas o silêncio de quem não sabe bem o que fazer com o território novo em que acabou de pisar.

— Por que você não gosta de mim, afinal? — perguntei.

Alícia me olhou como se a pergunta fosse óbvia demais para merecer resposta.

— Você ainda pergunta?

— Pergunto.

— Você é melhor do que eu em tudo.

Eu ri. Uma risada seca, involuntária.

— Eu sou melhor do que você? Por favor. Arrume uma desculpa melhor.

— Você é sempre o número um da turma. Eu sou o número dois, quando muito. — Ela disse isso com a monotonia de quem está recitando uma lista que decorou há tempo demais. — Os professores te amam. Os garotos babam por você e por esse seu jeito... — Ela me olhou de cima a baixo antes de escolher a palavra. — Exótico. Todo mundo tem sempre algo bom para falar da perfeitinha da Zara.

— Para! Estou longe de ser perfeita. E duvido que sua raiva de mim seja por causa disso. Você me odeia.

— Eu não te odeio. — Ela desviou o olhar por um segundo. — Eu só... tenho inveja de você.

— Inveja de mim? Da favelada?

— Sim. — A resposta saiu sem cerimônia. — Da garota que minha mãe vivia dizendo que eu precisava superar, mesmo antes de saber quem você era. Porque eu precisava ser a melhor em tudo. A melhor aluna, ter o melhor emprego no melhor hospital, ser a melhor médica. Honrar o nome da família. — Ela pausou. — E essa garota que eu não consigo superar é quem? Só uma favelada.

Fiquei olhando para ela por um segundo.

— Isso foi ofensivo em vários níveis.

— Tome como elogio. — Ela suspirou com aquele cansaço de quem carrega peso demais há tempo demais. — Não sou de fazer muitos. E agora sou a ovelha desgarrada da família, porque sou só uma futura médica bem mediana que nem serve para arrumar homem. Palavras da minha mãe.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, sem saber exatamente o que fazer com aquilo.

Não era o que eu esperava ouvir. Mas, no fim, eu sabia o que ela estava fazendo. Eu não era a única com medo de morrer carregando coisas.

Capítulo 109 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO