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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 110

Coloquei a mão sobre a dela com cuidado.

— Eu sinto muito.

— É, eu também.

Alícia se levantou rapidamente, como se precisa se mover antes que a emoção encontre um lugar para pousar. Tinha lágrimas nos olhos, mas o queixo erguido, como se as duas coisas pudessem coexistir sem que uma cancelasse a outra. Foi até a janela e ficou parada ali por alguns segundos, olhando para o tapume de madeira que bloqueava qualquer vista possível.

— Mas que merda — ela bateu levemente com a mão na grade. — Nem pra devanear na janela dá.

Soltei uma risadinha antes de conseguir segurar. Ela não riu, mas o queixo relaxou um milímetro.

— Quer falar sobre isso? — perguntei.

Ela ficou em silêncio por um momento.

— Só porque acho que vou morrer. — A voz saiu mais baixa. — E você não é minha amiga.

— Mas aparentemente temos uma inimiga em comum.

Alícia voltou para a cama devagar, se sentando ao meu lado com aquela expressão de quem está processando uma ideia pela primeira vez — como se a possibilidade de Genevieve ser capaz de fazer o que ela sabia que tinha feito ainda precisasse de um testemunho do lado de fora para se tornar completamente real.

— Estudamos no mesmo colégio. Mesma turma, éramos amigas. Melhores amigas. — Ela olhou para as próprias mãos. — Desde os dezesseis eu namorava esse cara. Ele era da nossa escola também. Aos dezoito eu engravidei.

Fez uma pausa. Respirou.

— Eu fiquei bem desesperada. Porque... bem, eu ainda tinha dezoito anos.

— Eu estou desesperada aos vinte e um — me vi confessando, antes de decidir se era uma boa ideia. — Queria terminar a faculdade. Construir minha carreira primeiro, antes de pensar nisso.

Ela me olhou por um segundo, como se não esperasse aquilo. Depois continuou.

— A mesma forma como eu pensava. Mas meus pais aceitaram estranhamente bem. Os pais dele também. Hoje, olhando pra trás, acho que as duas famílias viram aquele bebê como uma forma de segurar o relacionamento agora que estávamos nos formando e íamos cada um para um lado. Nossas famílias se adoravam. Era o casamento perfeito.

— Acho que posso entender...

— Eu era a garota perfeita. — Ela disse isso sem orgulho, só como uma constatação. — Jovem, bonita, inteligente, namorado de sobrenome importante, grávida do fruto dessa união. Ia me formar como primeira da turma. Depois ia me casar, duas famílias importantes se unindo. E a dele tinha muito, muito mais posses, o que era um ótimo bônus para a minha mãe, claro.

Capítulo 110 1

Capítulo 110 2

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