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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 111

~ ARTHUR ~

Saí do restaurante com um nó no estômago que não era fome.

Fome eu tinha. Não toquei no prato. Mas o que estava se instalando no meu peito enquanto eu atravessava as ruas de volta ao hospital era outra coisa — uma mistura de confusão, revolta e algo que eu preferia não nomear mas que se parecia muito com culpa.

Encontrei Thomas na lanchonete do hospital, com o sanduíche de queijo e presunto de sempre na frente e aquela expressão de quem está em paz com o mundo. A paz durou até eu abrir a boca.

— Eu vou ser pai.

Ele levantou os olhos do sanduíche com uma lentidão que dizia que o cérebro estava processando antes do rosto reagir.

— O quê?

— Zara está grávida. — Me sentei na cadeira de frente. — Não que minha primeira frase precisasse de explicação, mas...

— Parabéns! — O sorriso apareceu rápido, genuíno, e ele me deu um tapinha no ombro com aquela firmeza de quem está feliz de verdade. — Não aceito não ser o padrinho.

— Eu adoraria te fazer esse convite. Mas primeiro eu preciso que minha mulher me dê essa notícia.

Ele parou.

— Espera... O quê? Zara está grávida ou não está?

— Está. Mas está escondendo de mim.

Contei tudo. O almoço que não foi almoço, Genevieve aparecendo na salinha com aquela expressão de quem tem algo importante e não sabe se deve falar, a forma como ela foi construindo a conversa antes de soltar a informação, as insinuações sobre o motivo de Zara estar guardando aquele segredo. E o beijo.

Thomas ficou em silêncio por um momento.

— Eu sempre te disse. Essa garota é apaixonada por você. Você não acredita.

— Eu não sei. Ela sempre me pareceu uma boa amiga.

— Boas amigas não controlam sua vida do jeito que ela controla. — Ele largou o sanduíche sobre o prato com aquele gesto de quem vai falar sério. — Um conselho aqui, uma opinião ali, uma ajuda para escolher a aliança da sua noiva de lá. Isso pra mim é coisa de gente que se faz de sonsa enquanto ganha espaço. E você sabe muito bem o que eu penso de gente sonsa.

Não respondi.

Porque se eu parava para pensar no que ele estava dizendo, sim, Genevieve era sempre boazinha demais. Sempre disponível, sempre com a palavra certa, sempre sabendo exatamente onde aparecer e quando. Quando a Zara estava vulnerável, a Genevieve estava lá. Quando havia decisões importantes a tomar, a Genevieve tinha uma opinião. Quando o casamento estava sendo planejado, ela se inseriu em cada detalhe com aquela naturalidade de quem achava que tinha direito de estar ali.

E eu deixei. Porque sempre pareceu cuidado. Porque era mais fácil interpretar como amizade do que como interesse.

E hoje, quando ela me beijou e eu fiquei furioso com o que ela tinha feito, ela deu um jeito de virar o jogo em questão de minutos. Transformou o erro dela em uma história sobre lealdade, sobre amizade não reconhecida, sobre ela tentando me proteger da Zara. Saiu com aquela dignidade ofendida de quem foi incompreendida. E eu tinha quase acreditado, porque era Thomas que eu precisava para ouvir aquilo de fora e entender o que estava acontecendo.

— Vai contar para a Zara? Que a Genevieve te beijou?

— Disse a ela que daria a oportunidade de deixá-la contar. São amigas.

— Uma caralho. — Thomas me olhou com aquela paciência específica dele, que era na verdade zero paciência embrulhada em voz calma. — Você vai explicar pra sua mulher o que aconteceu se não quiser ver ela terminar com você em dois tempos quando descobrir. Ela já chegou?

Capítulo 111 1

Capítulo 111 2

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