~ ARTHUR ~
Thomas não disse nada. Só se virou e foi andando pelo corredor como se eu fosse simplesmente segui-lo, o que fiz. Me levou direto ao quarto de hóspedes, que eu conhecia bem o suficiente para saber que existia, por mais que tivesse feito aquela piada sobre o sofá. Deixou uma toalha na cama e saiu sem fazer perguntas, que era exatamente o tipo de coisa que fazia do Thomas o melhor amigo que eu tinha.
Eu estava tão cansado da noite mal dormida no carro que tinha tido dois ou três apagões rápidos durante o caminho até o apartamento dele — aqueles micro sonos de segundo e meio em que a cabeça cede antes que o corpo consiga avisar, e você acorda com aquele susto de quem não sabe exatamente onde está por um momento. No carro tinha sido perigoso. No banco de fora do hospital escola tinha sido constrangedor. Aqui, ao menos, havia uma cama.
Tomei um banho longo. Mais longo do que o necessário, com a água quente no limite do suportável, porque havia alguma coisa naquilo que o café da padaria não tinha conseguido fazer — dissolvia o peso físico das últimas horas, a tensão que tinha se instalado nos ombros e no pescoço como se tivesse assinado um contrato de longo prazo. O resto — a Zara, a Leonora, as malas, o exame, tudo — continuava lá. Mas o corpo estava um pouco mais funcional quando saí do banheiro.
Me vesti, desci, e encontrei Thomas na mesa da cozinha com dois pratos de macarrão e uma expressão de quem estava esperando há mais tempo do que o banho deveria ter levado.
— Já almocei — avisei. — Em um restaurante a quilo.
Thomas segurou o riso e apenas disse:
— Então almoça de novo.
Comemos em silêncio por alguns minutos. Depois comecei a contar tudo. A Leonora com as malas no quarto, o documento com a liminar, a minha mãe na porta com aquela expressão que eu ainda não sabia classificar, meu pai me dando dinheiro em espécie no hall de entrada da mansão, o estacionamento, o banco da frente do hospital escola, o Fábio, os registros apagados. Thomas ouviu sem interromper, com aquele tipo de atenção que parecia passiva mas não era. Ele estava processando em tempo real, eu conhecia aquele silêncio.
— Você sabe que pode ficar o quanto precisar — ele disse, quando eu terminei.
— Não posso. — Cortei antes que ele desenvolvesse. — Não posso deixar que te associem a mim. Prefiro você seguro dentro do hospital.
— Por favor. — Thomas desdenhava com aquela leveza de quem acha a preocupação exagerada mas não vai discutir. — Como se eu já não fosse completamente associado a você.
— Eu sei. Mas quero dizer com relação ao que estão me acusando... manipular exame, desviar dinheiro do hospital. Não quero que isso respingue em você.
— E pra onde você vai?
— Ficar no carro, se for preciso — falei, sem ter pensado muito nisso na verdade — Mas antes disso, a Zara é mais importante. O que você descobriu?
Thomas colocou o garfo no prato com um cuidado de quem está prestes a dizer alguma coisa que precisa ser dita devagar.
— Descobri que, por mais estranho que pareça, a Zara está segura. Na medida do possível.
— Segura na medida do possível. — Repeti as palavras com a sobrancelha levantada. — Tendo sido sequestrada.
— Pelo pai. — Ele acrescentou. — Os homens no beco eram homens dele.
— Por que porra o pai da Zara ia sequestrá-la?
— Porque estavam querendo matá-la.
Me levantei da cadeira antes de processar completamente a frase.
— Onde ela está? Eu estou indo buscar ela agora.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO