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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 122

Quando a porta bateu, o silêncio que ficou era do tipo que tem peso.

Ficamos nos encarando — eu de pé no meio do quarto, Alícia na cama com aquele pânico silencioso de quem está processando rápido demais e não está conseguindo processar nada.

— Vou te tirar daqui. — Falei, direta. — Não vai te acontecer nada. Tá ouvindo?

Alícia balançou a cabeça negativamente. Como se estivesse ouvindo, mas não estivesse acreditando. Ela estava em estado de choque: os olhos abertos demais, o corpo rígido demais, a respiração curta demais.

Fui até ela e dei um tapa de mão aberta no rosto.

— Isso doeu! — ela reclamou, piscando, a mão voando para a bochecha.

— Céus, eu sempre quis fazer isso... — Ri antes de conseguir segurar. — Mas foi só pra te trazer de volta. Preciso de você atenta.

— Atenta ao quê, Zara? — Ela me olhou com uma mistura de raiva e desespero que já estava me parecendo familiar. — Você disse que não tem como fugir, ele disse que não vai me deixar sair. Eu vou morrer. Vou morrer por causa de uma saia Chanel. Por favor, faz que pelo menos lavem essa mancha antes de me enterrarem com ela.

Soltei uma risadinha que não pretendia deixar escapar.

— Essa é sua maior preocupação? Sua cabeça vai estar aberta por uma marreta. Vai ser enterro de caixão fechado.

Alícia voltou a tremer, os olhos arregalados de um jeito que me disse que eu tinha ido longe demais.

— Não, não. Fica comigo. Foi brincadeira. Acho que peguei pesado e já me vinguei com uma tapa, você não precisa de outro. — Me aproximei, ficando na frente dela. — Vou te tirar daqui. E quando você sair, vai até o Arthur. Ok? Pede pra ele te proteger e... e pra não vir por mim.

— Do que você tá falando? — Ela me encarou. — É claro que alguém precisa vir por você. E pelo bebê.

— Eu prefiro estar do lado do meu pai do que do lado dos inimigos dele. E se ele está me protegendo, está me protegendo de alguém. Vou ficar bem. A gente só precisa te tirar daqui primeiro.

— E como você pretende fazer isso?

— Confia em mim.

— Não confio em ninguém. — Ela disse aquilo sem rancor, só como fato. — Nem nas minhas amigas. Não depois da Genevieve.

— Então que bom que não somos amigas. — Respondi com um sorrisinho.

Passamos o resto da tarde praticamente em silêncio.

Eu tentava escutar o que acontecia do lado de fora. O Marreta tinha ficado por um tempo — vozes graves, passos pesados, o som de alguém falando ao telefone gerenciando com urgência mais de uma situação ao mesmo tempo. Depois ele foi embora. Ficaram dois homens — provavelmente os mesmos do beco, pelo porte que eu tinha conseguido enxergar quando a porta abriu. Grandes demais para eu tentar encarar de frente. Experientes demais para cair em qualquer coisa óbvia.

Fiquei esperando. Observando. Calculando.

Eles estavam lá fora, rindo de alguma coisa idiota que passava na televisão, a conversa indo e vindo.

A oportunidade apareceu quando eu já estava começando a achar que não ia aparecer.

— Vou buscar mais umas geladas aí — disse um deles, a voz chegando clara através da porta.

— Pô, rala e rola, não mosca não.

— Qual foi, tá cagado de ficar sozinho com as duas burguesinhas? Já volto, porra.

Capítulo 122 1

Capítulo 122 2

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