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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 123

~ ALÍCIA ~

As mãos da Zara estavam vermelhas de verdade. Eu tinha reparado antes, mas tinha assumido que ela tinha feito algum corte rápido pra enganar o brutamontes caído ali. Afinal, ele não seria burro de acreditar em qualquer gritinho de dor sem evidência. Mas enquanto eu olhava para ela apoiada na parede com aquele peso nos joelhos, fui entendendo que não tinha sido encenação. Ela estava sangrando de verdade. A criança que ela estava carregando estava em risco, e ela tinha usado isso — tinha transformado o próprio medo em arma — porque era esse o tipo de pessoa que a Zara era, aparentemente.

— Eu te ajudo — falei, já me movendo para colocar o braço dela sobre os meus ombros. — Vem comigo, a gente consegue.

— A gente não consegue. — Ela se esquivou com mais energia do que o estado dela justificava. — Eu mal estou conseguindo ficar de pé, Alícia. A gente vai chamar atenção, vai ficar lenta. O outro cara já deve estar voltando. Vai. Corre.

— Não vou sem você! — A frase saiu antes que eu decidisse dizê-la.

E nem mesmo eu sabia exatamente por que estava falando aquilo.

Eu odiava a Zara. Odiava a garota que me vencia em tudo sem nem tentar, que a minha mãe queria que eu tivesse como exemplo mesmo quando ela não passava de uma favelada. Então por que diabos eu não conseguia simplesmente virar as costas e sair dali?

Talvez fosse pelo bebê. Talvez fosse porque aquilo me tocava de uma forma que eu não gostava de admitir — a ideia de deixar uma mulher grávida sozinha num cativeiro com um homem desmaiado no chão e o pai traficante a caminho. Talvez fosse porque passamos dois dias em um quarto de cupim nos abrindo uma pra outra de formas que eu não esperava e que mudaram alguma coisa entre nós.

Mas era a minha vida. Eu deveria estar correndo.

— Vai logo! — Zara praticamente implorou, fazendo uma careta de dor que ela claramente tentou esconder e não conseguiu.

— E quando te pegarem aqui com esse cara desmaiado?

— Digo que ele tentou algo contra mim e eu me defendi. — A voz dela saiu firme apesar de tudo. — Alícia, o Marreta é meu pai. Ele disse que estava me protegendo. Eu vou ficar bem. Mas não posso garantir o mesmo de você. Então sai daqui e procura a Marília. Ela vai te ajudar.

Confirmei com a cabeça devagar, processando aquilo com lentidão. Eu sabia que ela estava certa, mas ainda não quer aceitar completamente.

Mas era isso. Ela estava certa. Ela ia sobreviver. Ela ia lidar com o pai, ia explicar o homem desmaiado de alguma forma, ia sobreviver porque ela era o tipo de pessoa que encontra uma saída mesmo quando não existe nenhuma, porque cresceu num mundo onde não ter saída era o estado padrão e aprendeu a criar uma do zero. Eu, sem esse escudo, sem esse histórico, sem essa habilidade de transformar desespero em estratégia... eu não tinha tanta certeza.

Puxei a Zara para um abraço rápido e firme, mais firme do que eu esperava que fosse. Ela correspondeu por exatamente meio segundo antes de me empurrar suavemente na direção da saída com aquela objetividade dela que era ao mesmo tempo irritante e reconfortante.

Sem dizer mais nada, virei e saí correndo.

Capítulo 123 1

Capítulo 123 2

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