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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 125

~ ALÍCIA ~

Senti uma mão nas minhas costas.

Quando abri os olhos e olhei para cima, a outra mão do rapaz estava estendida para mim.

— Vem.

Aceitei. Deixei que ele me ajudasse a me colocar de pé e o segui para dentro do lugar sem fazer perguntas, porque naquele momento não havia nenhuma pergunta que eu quisesse fazer mais do que eu queria sair do chão daquele beco.

Mas ele não me levou em direção ao bar. Em vez disso, fomos até uma escada de madeira estreita e rangendo que ficava num corredor lateral, e subimos para o segundo andar. O que havia lá em cima era uma casa — pequena, apertada, cheirando a fritura e organizada da forma de alguém que usava cada metro quadrado disponível. Ele me colocou no que parecia ser o próprio quarto dele e ficou parado na porta, me olhando com uma desconfiança de quem não tem certeza se tomou a decisão certa, mas já tomou.

— Fica aqui. — Disse, claramente pesando as palavras. — Quero dizer, se quiser fugir, foge. Vai resolver um problemão pra mim. Mas é melhor pra você ficar.

Deu as costas e saiu.

Fiquei parada no meio do quarto por um segundo, olhando ao redor.

A verdade era que eu não tinha escolha, tinha? Voltar lá para fora era voltar para o problema. Aqui, pelo menos, estávamos num padrão que eu podia considerar, com muito esforço, amigável. Ou o mais próximo de amigável que era possível depois de ter tentado atirar na pessoa que me estava abrigando.

Como a minha vida tinha chegado a esse ponto era uma questão filosófica para a qual eu não tinha energia no momento.

Comecei a andar pelo quarto, porque não havia muito mais o que fazer. Roupas jogadas em cadeira e no chão — típico de homem. Uma televisão velha com um videogame conectado. Fui até a janela, comecei a abrir a cortina, pensei melhor e a fechei com mais força do que tinha aberto. Um guarda-roupas bambo que balançou quando encostei não tinha muitas roupas, e as que tinha eram básicas, do tipo que você compra pensando em funcionalidade, não em impressionar ninguém.

Uma escrivaninha apertada no canto, com uma pilha de livros que estava entortando a madeira de tanto peso.

Peguei um dos mais grossos. A capa estava desbotada, as páginas amareladas, e o conteúdo era do tipo que a faculdade de medicina já não usava há pelo menos duas décadas — daquele livro velho não apenas no sentido físico, mas também no sentido de que as descobertas que ele considerava atuais tinham sido superadas há anos.

— Medicina? — Perguntei em voz alta, mais para mim mesma do que para alguém.

— O que você tá fazendo? — A voz veio da porta.

Ele tinha voltado. Larguei o livro em cima da escrivaninha com uma naturalidade que provavelmente não enganou ninguém.

— Nada.

Ele entrou, fechou a porta atrás de si e estendeu um prato. Um sanduíche natural simples, daqueles de padaria, embrulhado em plástico transparente. E um suco de caixinha ao lado.

Me sentei na cama e desembrulhei o plástico.

— É a melhor coisa que comi em dias. — Falei, com a boca já cheia, sem cerimônia. — Ou sei lá. Perdi a noção de tempo completamente.

Ele me observava com aquela atenção de quem está montando um quebra-cabeça.

— Você não subiu o morro pra comprar droga, subiu?

Balancei a cabeça negativamente, devagar.

Capítulo 125 1

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