~ ALÍCIA ~
Ficamos ali até tudo ficar em silêncio lá em cima novamente e o caminhão voltar a se movimentar.
Então ele se afastou. Ou melhor, afastou o rosto, que era a única parte do corpo possível de se afastar naquele espaço.
— O que você tá fazendo? — Perguntei, tentando soar um pouco mais ofendida do que realmente estava.
— Fazendo você calar a boca — respondeu simplesmente.
— E não podia usar as mãos?
— Er... não! — Disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
E era óbvio. As mãos dele deviam estar presas embaixo do corpo, assim como as minhas, e na urgência de me fazer calar a boca ele tinha feito a única coisa que era fisicamente viável no momento.
— E precisava usar a língua? — Desafiei.
— Força do hábito — respondeu, mas o canto da boca dele se contorceu em um sorriso que ele claramente tentou não deixar aparecer e não conseguiu segurar completamente.
O que, é claro, não ajudou em nada com o estado geral das minhas tentativas de parecer irritada com aquilo.
O beijo serviu para me calar durante o resto do caminho, porque eu genuinamente não sabia como retomar uma conversa depois daquilo — não naquele espaço, não naquela proximidade, não com aquele sorriso ainda no canto da boca dele. Fiquei quieta. Ele também ficou quieto. O caminhão seguiu por um tempo que eu não teria sido capaz de calcular nem se tivesse tentado.
Até que o movimento voltou lá em cima.
Caixas sendo arrastadas, o som do alçapão sendo aberto, e a luz voltou a entrar — pouca, artificial, amarelada, mas luz depois daquele escuro completo.
— Vocês ficam aqui. — Um dos homens apareceu acima deles por um segundo antes de sumir.
Samuel saiu primeiro, com aquela agilidade de quem está acostumado a espaços e movimentos que eu claramente não estava. Depois me estendeu a mão e me ajudou a sair do alçapão e a descer do caminhão. Os homens fecharam o baú e o veículo foi embora antes que eu tivesse terminado de me orientar.
Olhei ao redor.
Alguns bares abertos, ruas com pouca gente, iluminação insuficiente. Não tinha ideia de onde estávamos.
— Bom. — Samuel pegou o celular. — Vou chamar um Uber para você e...
— Não! — Me aproximei mais. — Não vou pegar Uber sozinha de madrugada. Você disse que queria garantir minha segurança, então garanta direito.
Ele soltou um suspiro fundo, do tipo que dizia claramente que passar mais tempo comigo não era exatamente o que ele tinha planejado para aquela madrugada. Mas abriu o aplicativo no celular e perguntou:
— Para onde?
— Hum.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO