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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 141

~ ALÍCIA ~

O chocolate quente estava morno agora, mas eu continuava segurando a caneca com as duas mãos como se o calor residual fosse suficiente para alguma coisa. Não era. Mas era o tipo de gesto que o corpo faz quando a cabeça está ocupada demais com outras coisas para inventar algo mais útil.

Estava encolhida no sofá da sala do Thomas, com uma manta que alguém tinha colocado nos meus ombros em algum momento que eu não tinha registrado — Samuel, provavelmente. A mão dele segurava a minha com uma firmeza quieta que eu estava aprendendo a reconhecer como a forma dele de dizer que estava lá por mim, sem precisar de palavras para isso.

Do outro lado da sala, Thomas falava ao celular em um canto. Urgente o suficiente para que eu percebesse o tom sem precisar ouvir as palavras, baixo o suficiente para que o assunto ficasse fora do meu alcance. Fui observando enquanto fingia não observar, e quando ele desligou e veio em nossa direção com aquela expressão de quem está prestes a dizer algo que preferia não ter que dizer, eu já sabia que não eram boas notícias.

— Arthur e Zara deram entrada no Sartori & Altieri.

— Graças a Deus. — O alívio saiu antes que eu terminasse de processar. — Eles conseguiram sair do cativeiro, então. A Zara está bem? E o bebê?

— Ela vai ficar. Foi medicada e está sedada agora.

— Sedada?

— Ela não conseguia se manter calma porque... — Thomas parou por um segundo que durou mais do que minha ansiedade suportava. — Porque o Arthur foi baleado.

Me levantei antes de me dar conta do que estava fazendo.

— Baleado? Como? O quê... como ele está?

— Em cirurgia. Eu estou indo para lá.

— Eu vou junto.

— Não, não vai. — Ele me olhou como quem não vai ceder independente de quanto eu insista, e depois olhou para Samuel. — Cuida dela. Não deixa ela sair daqui até a mãe chegar.

— Eu não vou ficar aqui parada enquanto...

— Você não pode fazer nada, Alícia. — A voz dele não era dura, era só direta. — Só preciso ter a certeza de que você está em segurança para que seja uma coisa a menos para todo mundo se preocupar. Pode me garantir isso?

Fiz uma pausa.

— Tudo bem.

Nem eu acreditei completamente em mim mesma. Mas Thomas aparentemente aceitou, ou decidiu que era o suficiente para trabalhar, porque pegou as chaves e saiu sem mais cerimônia.

Fiquei parada no meio da sala por alguns segundos depois que a porta fechou. Samuel não disse nada. Deixou o silêncio existir enquanto eu processava.

Não sabia o que tinha acontecido. Não sabia o que Arthur tinha feito para tirar a Zara do cativeiro, não sabia o que tinha acontecido no processo para ele acabar baleado, não tinha nenhuma informação além do que o Thomas tinha dito em trinta segundos antes de sair. Mas havia um pressentimento que não estava me deixando em paz. Não sobre a cirurgia, porque se havia um lugar para Arthur estar em boas mãos era exatamente ali, no hospital que carregava o nome dele. Era outra coisa.

Era a lembrança da voz do Marreta dizendo que estava protegendo Zara. Que lá dentro ele conseguia garantir, lá fora não garantia nada. E agora a Zara estava em um hospital... protegida, sim, sedada, sim, sob cuidados... Mas ainda era um lugar que a colocava em uma posição de muita vulnerabilidade.

A sensação de que aquilo não tinha terminado ainda ficou assentada no meu estômago como algo que recusava ser ignorado.

Mas ficar andando em círculos não ia resolver. Fui me sentar de volta ao lado de Samuel, abraçando a manta, e por alguns segundos ficamos assim — o apartamento silencioso, a caneca de chocolate esfriando.

Meus olhos foram para Samuel.

— Tenho um apartamento. — Disse, de forma simples — Está vazio. Acabou de ser desocupado pelos locatários na semana passada.

Capítulo 141 1

Capítulo 141 2

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