~ ALÍCIA ~
Minha mãe abriu aquele sorriso forçado, de anos de ensaio, aquele que eu aprendi a identificar quando ainda era criança, os cantos da boca chegando ao lugar certo mas os olhos não acompanhando completamente.
— Querida, podemos...?
— Vou deixar vocês a sós. — Samuel percebeu o momento antes que eu precisasse pedir, se levantou do sofá e foi em direção à cozinha.
Quando ficamos sozinhas, minha mãe voltou a me abraçar. Desta vez mais devagar, com as mãos percorrendo os meus braços como se estivesse verificando se havia algo que ela tivesse perdido na primeira vez.
— Tem certeza de que você está bem? Eles te machucaram? Fizeram alguma coisa com você?
— Eu estou bem. — Repeti, pela terceira ou quarta vez desde que ela tinha chegado, sabendo que vou ia repetir mais algumas vezes antes que ela acreditasse de verdade. — Hora errada, lugar errado. Mas estou bem.
— Precisamos passar num médico. Só para verificar. Um psicólogo talvez, traumas assim podem...
— Mãe.
— Certo. — Ela cedeu, mas com as mãos ainda segurando o meu rosto, olhando para mim como quem está tentando ler algo através dos meus olhos. — Então esse garoto... Samuel?
— Samuel. — Confirmei.
— Ele estava lá com você?
— No cativeiro? Não! Éramos eu e a Zara e...
— Ele era um dos...?
— Mãe!
A interrompi na mesma hora, entendendo onde ela estava querendo chegar. Não a julgava, era minha mãe. Tinha passado horas sem saber onde eu estava, precisava checar tudo, classificar tudo. Era o jeito dela de processar.
— Isso não é síndrome de Estocolmo. Ele não era um dos sequestradores. A Zara me ajudou a escapar do cativeiro e me deu orientações para que eu procurasse a mãe dele. Mas ela tinha morrido. Então ele decidiu me ajudar.
— Entendo. — Mas soou como quem não entendia nada ainda. — Então vocês simplesmente decidiram... ficar juntos.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO