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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 15

Geórgia me olhou com uma confusão genuína, a cabeça levemente inclinada, como se a pergunta que eu tinha feito não fizesse sentido em nenhum idioma que ela conhecesse. E sinceramente, ela parecia conhecer muitos. Ela era o tipo de garota construída para ser perfeita. A maior rebeldia da vida dela provavelmente era não bater nas portas.

Éramos completamente opostas. Ela com as unhas perfeitas, eu com as mãos desgastadas por produto de limpeza de limpar a casa dos outros. Ela com o cabelo sempre no lugar, eu com o meu preso do jeito que dava antes de sair correndo para o primeiro bico do dia. Ela com toda uma vida construída para encaixar naquele mundo, eu com uma vida construída para sobreviver fora dele.

Mas havia algo no fundo dos olhos dela que me fez pausar por um segundo. Algo que não combinava com as unhas perfeitas nem com o cabelo impecável. A sensação de quem foi colocada numa caixinha muito antes de decidir se cabia nela. Isso eu entendia. A minha caixinha só era de outro material.

— Por que você faria isso? — Ela finalmente perguntou. — Por que diria não para o casamento?

— Bem, é complicado, mas...

— Ele não foi um cavalheiro com você?

Parei.

— Foi, sim — disse.

Por mais que não fosse cem por cento verdade. Ele tinha sido cavalheiro em alguns momentos específicos que eu preferia não ficar enumerando. Em outros tinha sido um babaca de manual.

— Mas a gente...

— Ele não é inteligente?

— Ele parece ser, mas...

— E ele é bem bonito, não é?

— Ele é um gato, mas...

Me interrompi. Levei as mãos à boca tarde demais. A frase já estava no ar, completa e irrecuperável, pairando entre mim e a irmã do homem em questão.

Geórgia sorriu com uma lentidão proposital que me fez querer sumir dentro do closet vazio.

Bem. Eu achava mesmo, não ia mentir. Ou não teria dormido com ele, teria? Não que isso fosse algo que eu fosse mencionar para a irmã adolescente dele em hipótese nenhuma nessa ou em nenhuma outra vida paralela.

— Então qual é o problema? — ela perguntou, com um ar inocente que eu tinha certeza de que inocente não tinha nada.

— Bom... ele é meio babaca.

— Ah, ele é bem babaca — ela disse isso como se fosse um fato da natureza que todo mundo já tinha aceitado. — Mas você se acostuma. Posso te dar umas dicas de como domá-lo, se quiser.

Olhei para ela com a testa franzida.

— Eu convivo com ele a minha vida inteira, então sou disparada a maior especialista disponível no mercado.

Capítulo 15 1

Capítulo 15 2

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