Nunca me senti tão impotente na minha vida.
Estava ali, deitada na minha própria cama de hospital, assistindo um filme de ação se desenrolar a menos de dois metros de mim sem poder fazer absolutamente nada. Tentava gritar por ajuda e a voz saía fraca, mal alcançava o outro lado do quarto. Tentava me debater, me levantar, fazer qualquer movimento que não fosse deitar ali como espectadora de algo que determinava se eu ia sobreviver ou não. O corpo simplesmente não obedecia com a urgência que eu exigia. Era como tentar mover montanha com os braços ainda adormecidos.
Então, de repente, tudo parou.
A briga parou. Os sons pararam. O mundo parou.
E a Genevieve desabou ali, bem diante dos meus olhos, o corpo cedendo. Joelhos primeiro, depois o resto, o rosto encontrando o chão sem que as mãos chegassem a tempo de amortecer.
Fiquei encarando aquilo por alguns segundos sem conseguir processar completamente.
Depois meus olhos se levantaram e encontraram os da Alícia, que estava parada do outro lado do quarto me encarando com uma expressão que provavelmente espelhava a minha: a expressão de quem acabou de sobreviver a algo e ainda não chegou à parte de entender como.
— O-obrigada. — Me esforcei para conseguir dizer, a língua ainda embaralhada pelo sedativo que estava perdendo efeito mais devagar do que eu precisava.
— De nada. — A fala dela saiu tão embaralhada quanto a minha. Uma mistura de medo, pânico e adrenalina que não tinha para onde ir agora que a situação tinha parado.
— Ela está... ela está...? — A pergunta não saiu completa. Dessa vez não podia dizer que era completamente culpa dos sedativos — eu simplesmente não conseguia dizer a palavra que completaria aquela frase.
— Não sei. — A Alícia olhou para a Genevieve no chão com aquela objetividade de estudante de medicina que às vezes aparecia antes da emoção. — Não sei o que tinha na seringa. Mas... ia ser uma de nós três, não ia?
Confirmei com a cabeça.
Ia ser eu, se a Alícia não tivesse chegado a tempo de ver o que estava acontecendo e decidido em um segundo que ia intervir. Ia ser a própria Alícia, se ela não tivesse conseguido se defender no momento certo. Acabou sendo a Genevieve, vítima da própria armadilha, do próprio ódio que não havia deixado espaço para que os reflexos funcionassem de outra forma.
Continuamos nos encarando, as duas, meio sem saber o que fazer a seguir. Aquele silêncio de depois de algo muito grande, quando o barulho parou mas a realidade ainda está chegando em parcelas.
Foi quando a porta se abriu.
Thomas. Com a Geórgia ao lado, empurrando uma cadeira de rodas. Ele olhou para a Genevieve no chão. Olhou para mim. Olhou para a Alícia.
— O que aconteceu aqui?
— Não sei se consigo explicar. — A Alícia respondeu, sem tirar os olhos do chão.
— Tudo bem. — Ele veio até a minha cama, me ajudou a me sentar, me passou para a cadeira de rodas com o cuidado de quem está movendo algo frágil. — Saiam daqui. Vocês três. Zara está estável, o bebê também.

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