~ THOMAS ~
O pulso da Genevieve estava fraco, mas presente.
Ajoelhado ao lado dela no chão do quarto, com dois dedos no seu pescoço, fiz o cálculo rápido que qualquer médico faz quando encontra alguém inconsciente — ritmo, profundidade, temperatura da pele. A respiração era superficial demais. E se eu estivesse certo sobre o que tinha naquela seringa agora largada no chão, o quadro ia piorar antes de melhorar. Se melhorasse.
Pressionei o botão de emergência na parede.
Enquanto esperava, a cabeça já estava em outro lugar. O palpite da Geórgia e da Alícia tinha sido confirmado. As câmeras de segurança do hospital tinham sido desligadas, o que provava que a Genevieve tinha um cúmplice lá dentro. Alguém com acesso suficiente ao sistema para fazer isso sem deixar rastro imediato. Ele só precisava descobrir quem, e torcer para que as câmeras que ele tinha conseguido religar a tempo tivessem captado algo pelos microfones — porque os quartos não tinham câmera, apenas os corredores. Se os microfones tivessem captado algo, eles poderiam ter uma prova relevante. Mas não tivesse...
Se não tivessem, então tudo o que eles tinham era uma mulher inconsciente. Uma seringa no chão... E a Alícia Lacerda como único profissional (ainda que estudante) presente na cena. Isso não era bom. Isso não era nada bom.
— O que temos aqui? — O médico de plantão chegou em menos de um minutos, dois residentes atrás.
— Pulso fraco e irregular. Respiração superficial, sem reação a estímulo. — Me levantei e recuei um passo para dar espaço. — Suspeita de intoxicação aguda com comprometimento cardíaco ou metabólico. Tragam o carrinho de emergência, oxigênio e monitor, agora. Seja o que for, está derrubando as funções vitais dela. Se não for revertido rápido, ela pode entrar em parada.
— Estamos nisso.
— Ótimo.
Sai e deixei Genevieve Bragança sob os cuidados de especialistas que eram mais adequados para aquele momento do que ele. Eu era médico, era meu dever e minha responsabilidade ajudar pessoas, e havia feito o que podia. Mas meu lado humano não se importava particularmente com o desfecho dela. Ela tinha entrado naquele hospital com uma seringa preparada para matar uma mulher grávida e quase matado outra no processo. Se as escolhas que a trouxeram até aquele chão tivessem consequências, seriam consequências que ela mesma tinha construído.
Eu tinha mais coisas com que se preocupar.
Voltei à minha sala, fechei a porta e comecei com as ligações.
A mais importante de todas durou cerca de cinco minutos.
- Doutor Eduardo... preciso que me escute com atenção e não demonstre reações bruscas.
Quando desliguei, fiquei olhando para o telefone por alguns segundos antes de me levantar e ir até o andar da recuperação cirúrgica.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO