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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 163

A xícara de chá caiu das minhas mãos no instante em que abri a porta do quarto esperando encontrar o Arthur deitado — talvez ainda dormindo, talvez acordado mas quieto, qualquer coisa dentro do espectro razoável de alguém em recuperação — e encontrei ele de pé, tentando se mover enquanto o Thomas fazia o que podia para contê-lo com uma mão só, porque a outra ainda estava imobilizada, o que tornava toda aquela operação ainda mais impraticável do que já seria.

Minha mão simplesmente abriu. Vidro e líquido quente se espalhando pelo chão do quarto. Eu já estava correndo antes de processar que tinha derrubado alguma coisa.

— O que você tá fazendo? — Gritei, chegando do outro lado para ajudar Thomas a conter aquele homem que tinha sido submetido a uma cirurgia de emergência, um hemotórax e uma drenagem torácica improvisada num helicóptero e ainda assim estava ali, de pé, com aquela expressão de quem está indo a algum lugar e não quer saber de argumento.

— Saindo daqui. Voltando pro Rio.

— Não vai não!

— Ah, eu vou sim. — Disse com uma firmeza que era completamente desproporcional para o estado em que ele estava, mas que certamente era o tipo de firmeza de Arthur quando tinha chegado a uma conclusão e o corpo era apenas um detalhe logístico a ser resolvido.

— É impressionante alguém que acabou de sair do coma ter uma força dessa. — Reclamei, usando o próprio peso para tentar fazer alguma diferença, que era mínima.

— É a força da teimosia. — O Thomas reforçou, do outro lado, com aquele tom seco de quem já sabia como aquilo ia terminar, mas estava tentando assim mesmo porque era sua responsabilidade tentar.

Parei de tentar contê-lo. Porque estava ficando claro que força não era o caminho. Além disso, eu conhecia Arthur bem o suficiente para entender que dava para lutar com o corpo dele o dia todo que não ia adiantar nada se a cabeça já tinha tomado uma direção.

— ARTHUR PARA! — gritei repentinamente.

Ele parou completamente. Virou para mim.

— Preciso de você aqui. — Falei, tentando parecer firme. Não queria que ele entendesse aquilo como uma súplica, mas, bem... era. — Preciso de você bem. Não sei o que você ficou sabendo, mas a sua saúde vem em primeiro lugar. Porque se você fica mal, eu fico mal, eu fico preocupada, estressada... — Levei a mão à barriga. — E eu não posso.

Algo nele cedeu um pouco. Não completamente, porque a teimosia nunca permitia que ele cedesse completamente. Mas o suficiente. Passou as mãos no cabelo, respirou fundo, e me olhou com aquela expressão de quem está recompondo o que precisava ser recomposto antes de continuar.

— Tudo bem. Desculpa. Eu tô aqui. Vou me cuidar.

— Ótimo. — Thomas disse. — Então deita.

Arthur olhou de um para o outro com a expressão de quem estava pesando as opções e não gostando de nenhuma delas. Mas voltou para a cama. Thomas foi reconectando o que precisava ser reconectado enquanto eu juntei os cacos da xícara do chão apenas porque sentia que precisava de alguma coisa para fazer com as mãos.

— O que você contou para ele? — Perguntei para o Thomas, sem olhar para cima.

— Tudo, eu acho. — Ele admitiu. — Você sabe que não dá para esconder nada dele.

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