~ ARTHUR ~
Olhei para a Zara parada ali, de braços cruzados, com aquele bico levemente formado que ela provavelmente não sabia que estava fazendo, defendendo o ponto dela da única forma que ela sabia defender quando realmente queria ganhar: não debatendo, não expondo argumentos e ouvindo os contrários com paciência, mas simplesmente decidindo e esperando que o mundo se ajustasse à decisão. Era um traço dela que eu conhecia bem, que às vezes me irritava e que naquele momento, olhando para ela ali furiosa e completamente decidida a me proteger de uma forma que fazia sentido só na cabeça dela, eu tive a mais completa vontade de rir.
Porque ela ali, daquele jeito, era uma das imagens mais bonitas dela que eu ia guardar. Ela me amava. Era ciumenta. E ia lutar por isso com toda a força que tinha, mesmo quando aquela força estava voltada contra a minha direção.
— Zara, você precisa entender que...
— Não vou entender nada, Arthur.
— Mas a Genevieve...
Não cheguei a terminar. Porque naquele instante a porta do quarto se abriu sem que tivessem batido antes, e Geórgia entrou como um furão se jogando contra mim deitado na cama antes que eu pudesse fazer qualquer coisa além de tentar não ser acertado no tórax.
Fiz uma careta involuntária.
— Vamos com calma aí, pirralha. — O Thomas alertou, do canto.
Ela não estava ligando. Estava me abraçando com força de verdade, a cabeça enterrada no meu ombro, e quando finalmente falou a voz estava com uma mistura de alívio e indignação que só a Geórgia conseguia combinar no mesmo tom.
— Senti sua falta. Achei que você ia ter a petulância de morrer e me deixar sozinha no meio dessa família maluca.
— Eu não faria isso com a minha irmãzinha. — Respondi, rindo. — Preciso estar aqui pelo menos até você se tornar maior de idade.
— Isso é em duas semanas, Arthur. — Ela se afastou levemente para me olhar com uma expressão de quem está fingindo ofensa por eu ter esquecido que seu aniversário estava tão próximo.
— Ah, bom. Então vou ter que arrumar outra desculpa para continuar cuidando de você.
Ela me abraçou de novo, mais devagar dessa vez.
Pela lateral do olho, vi Zara e Thomas trocando um olhar rápido antes de saírem do quarto e nos dar privacidade. Mas antes de sair, Zara me lançou um olhar direto que dizia com mais clareza do que qualquer palavra que ela não tinha cedido nem um milímetro, que aquela conversa não estava encerrada, que ela ia continuar assim que tivesse oportunidade. Entendido.
— E aí? — Perguntei, acariciando o cabelo da Geórgia. — O que você andou aprontando enquanto eu estive... fora?
Ela riu, provavelmente da escolha da palavra, que era uma forma bastante atenuante de descrever o que tinha acontecido.
— Dirigi um carro. Seu carro.
— Céus. Como ele está?

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