Os dias foram passando e Arthur foi se recuperando mais lentamente do que ele claramente achava aceitável, mas era o ritmo que o corpo impôs independente da opinião dele. Repouso total nas primeiras semanas, que ele não se demonstrou muito disposto a seguir, mas seguia mesmo assim porque era médico e eu jogava isso na cara dele toda vez que ele tentava fazer mais do que deveria.
— Você precisa dar o exemplo! Vai cobrar como dos seus pacientes depois, senhor hipocrisia?!
Depois, gradualmente, pequenas caminhadas. Primeiro pela varanda. Depois pelo jardim. Sempre com passos medidos e o olhar de quem está testando os próprios limites com uma paciência que custava mais do que ele admitia.
Quando o aniversário da Geórgia chegou, ele já estava consideravelmente melhor.
Ela provavelmente não havia esperado passar os seus grandes dezoito anos em uma fazenda no interior, longe dos amigos da escola e dos clubes onde cresceu, sem festa elaborada ou qualquer um dos elementos que a família Sartori costumava associar com celebração. Mas quando saiu na varanda naquela manhã e encontrou todo mundo empenhado em uma decoração de fitas coloridas amarradas nos pilares, bexigas e velas de todos os tamanhos espalhadas pelas superfícies — tudo coisas que a Dona Conceição tinha encontrado nos armários — ela ficou parada por um momento com uma expressão de quem foi pega de surpresa por algo que não sabia que precisava.
— Vamos buscar flores. — Disse para o Arthur.
Ele me olhou.
— Flores?
— Para decoração. Você vai comigo.
Fazia duas semanas exatas naquele dia, e as caminhadas curtas já eram parte da rotina. Então ele foi, com aquela expressão meio contrariada de quem não tinha imaginado que o primeiro exercício físico mais prolongado depois de uma cirurgia seria colher flores no campo, mas que também sabia que não tinha argumento razoável para recusar.
Fomos devagar, pelo caminho de terra que contornava a propriedade, com o sol fraco da manhã nos guiando. Arthur andava como quem está descobrindo de novo o próprio corpo — testando o quanto pode respirar fundo, o quanto pode inclinar sem que o tórax reclame.
Me abaixei para pegar uma flor do campo que estava crescendo na beira do caminho e imediatamente ouvi um assobio aqueles de cantada, inconfundível.
Me levantei e virei para ele com aquela mistura de quem está rindo e fingindo não estar rindo que ele provavelmente sabia distinguir com precisão.
— Você nunca foi tão óbvio.
— Pouco estou ligando para o óbvio. — Disse, sem tirar os olhos de mim. — Estou louco em você.
Não tive aviso suficiente antes de ele me pegar pelo braço e me encostar suavemente contra a árvore mais próxima — com o cuidado específico de quem tem consciência dos próprios limites mas não está disposto a deixar que eles determinem tudo. O beijo que veio a seguir não tinha nada de suave, e eu fui correspondendo antes de lembrar que devia estar resistindo, e quando lembrei já estava com as mãos no pescoço dele e ele estava pressionando contra mim de um jeito que deixava claro que a recuperação tinha sido bastante eficiente em alguns aspectos.
— Arthur. — Me afastei levemente. — A gente não pode fazer isso.
— Por quê?
— Porque você ainda está se recuperando.
— Tudo bem. — Ele foi com os lábios para o meu pescoço com uma determinação calma de quem planejou aquela linha de argumento com antecedência. — Você pode fazer todo o trabalho. É bem sexy até, pensar.
— Você... — A frase foi ficando mais difícil à medida que os beijos iam descendo pelo pescoço e chegando ao colo. — Você sabe que não é assim que funciona.

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