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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 166

A festa começou quando o sol se pôs.

Samuel tinha improvisado um sistema de som com o celular e uma caixinha bluetooth que Dito tinha encontrado em um armário, e a playlist que ele tinha montado misturava aquele tipo de música que todo mundo conhece, ninguém assume que gosta, mas todo mundo acaba dançando no final.

Júlia e Dona Conceição tinham feito comida boa demais para o para o pouco tempo que tiveram de uma festa improvisada numa varanda de fazenda: galinhada, farofa, arroz com pequi. E a cachaça artesanal de seu Dito, que tinha começado como uma descoberta curiosa, tinha virado o sucesso não declarado da noite.

— Agora posso beber oficialmente! — A Geórgia tinha anunciado, virando o copinho de uma vez e imediatamente fazendo uma careta que não deixava dúvida sobre a força do que tinha acabado de engolir.

Todo mundo tinha rido dela, o que ela aguentou com uma dignidade considerável.

A noite foi passando a leveza típica do começo de noite em uma fazendo do interior. Conversas que não eram sobre o que precisava ser resolvido, sobre o que ainda estava pendente, sobre tudo que estava esperando por eles do outro lado daquela fazenda. Só conversa por conversa, comida por comida, presença por presença.

Quando a galinhada chegou à mesa, me lembrei da história que o Dito tinha me contado e não consegui segurar.

— Sabia que o Arthur tinha medo de galinha quando criança? — Disse, para ninguém em específico, mas alto o suficiente para que todo mundo ouvisse.

— Não! — A Geórgia se virou para o irmão.

Contei a história dos dinossauros, do livro do Augusto, do menino que chorava toda vez que via uma galinha.

— Em minha defesa. — Disse Arthur, com aquela seriedade performática que era completamente a cara dele. — Todo mundo aqui teria medo de uma suposta galinha com dentes extremamente afiados e que poderia arrancar seu intestino em segundos. Eu era apenas mais cientificamente informado do que vocês.

Todos riram dele, e ele riu junto, que era a única resposta possível.

A playlist ficou mais animada em algum momento depois da sobremesa, e a varanda foi se transformando numa pista de dança improvisada sem que ninguém tivesse declarado isso oficialmente. O Samuel puxou a Alícia que fingiu resistir por exatamente dois segundos antes de ir. Geórgia arrastou o Dito, que não se inibiu em acompanha-la mesmo sem nenhum talento mas com toda a boa vontade do mundo e nenhuma inibição. Até a Dona Conceição acabou sendo convencida pela Geórgia com aquela insistência de aniversariante que não aceita não como resposta, e ela foi com a risada que ela tinha e que raramente aparecia em público.

O Thomas ficou na mesa.

A Júlia ficou na mesa.

Do outro lado, observei os dois não se olhando com uma quantidade de esforço que era quase cômico — cada um olhando para lugares diferentes, fazendo qualquer coisa que não fosse reconhecer que o outro estava a um metro de distância. Thomas pegou o copo de cachaça. Colocou no lugar. Pegou de novo. Júlia reorganizou os talheres do prato vazio por nenhum motivo aparente.

Guardei aquilo para comentar para o Arthur mais tarde.

— Vai dançar. — Arthur disse para mim, com aquele gesto de cabeça em direção ao grupo. — Vai se divertir.

— Estou bem aqui, do seu lado.

Ele me olhou. Trocamos um beijinho que era daqueles que não precisam de contexto para existir.

— Estive pensando. — Ele começou.

Soube, pelo tom, que o assunto não ia para o caminho que eu gostaria.

— Acho que é hora de voltar para o Rio.

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