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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 170

Genevieve estava sentada próxima à janela aberta, olhando para o jardim lá fora com aquela postura que eu reconhecia bem: ombros retos, queixo levemente erguido, a compostura que ela mantinha como segunda natureza.

Quando se virou, porém, vi que não estava sentada em uma cadeira comum, mas sim em uma cadeira de rodas.

— Zara. — A voz dela saiu com a suavidade de sempre. — Céus, você está bem? Estive pensando tanto em você ultimamente.

— Esteve? — Perguntei, sem conseguir tirar os olhos da cadeira.

— Ah, sim. Estive tão preocupada! Queria saber se você estava bem, mas tudo o que diziam é que você tinha viajado para se recuperar...

— E por que você se importaria?

— Porque você é minha melhor amiga! — Ela disse, me olhando como se eu estivesse doida e aquele fato fosse o mais obvio do mundo. — Porque eu arrisquei minha vida para salvar você daquela psicopata da Alícia.

Por um instante fiquei em silêncio, só encarando o rosto contido dela.

Será que ela realmente acreditava nisso? Havia algum lugar doentio na mente dela onde ela tinha reescrito a história ao ponto de se tornar a heroína? Ou era performance calculada, ela testando até onde eu iria antes de largar a máscara? O trauma podia fazer isso com uma pessoa, eu sabia. Podia apagar bordas, criar versões alternativas que o cérebro preferia à realidade. Mas a Genevieve que eu conhecia — a Genevieve que eu havia observado por semanas achando que era minha amiga — não me parecia o tipo que se perdia nas próprias mentiras. Ela as controlava. Eram ferramentas, não crenças.

Foi quando ela riu. Um som curto, sem calor, que confirmou tudo que eu estava pensando.

— Você foi tão fácil de enganar. Ainda seria, se eu continuasse com a ceninha. Não duvido nada que caísse novamente no meu teatrinho de que me importo com você.

— Não cairia — disse, me sentindo um pouco idiota mesmo assim. — Eu me lembro de tudo que aconteceu naquele hospital. De cada palavra sua.

— Celular.

— O quê?

— Me dá seu celular. — Ela estendeu a mão direita. A esquerda ficou onde estava, com uma imobilidade que eu percebia agora que não era escolha. — Quero ter certeza de que você não está gravando nada.

— Não estou gravando nada. — Entreguei o celular. — Não é assim que eu quero resolver isso.

Até porque seria uma prova fraca. Poderiam dizer que eu não deveria estar gravando, que era inteligência artificial, que ela estava sendo coagida... Não precisava de mais provas fracas, precisava de um depoimento dela.

— Resolver o quê, Zara? — Ela virou o celular nas mãos, verificando. — Não tem nada para ser resolvido. Estou presa nessa cadeira de rodas.

— Consigo ver. — Tentei conter a ironia e não consegui completamente. — Tudo em mim ainda funciona muito bem, graças a Alícia.

Ela bufou antes de continuar.

— Os médicos disseram que se o socorro demorasse mais sessenta segundos, eu teria saído dali direto para o necrotério. — A voz saiu sem drama, só com aquela frieza de quem está enunciando dados. — Foram cinco minutos sem oxigênio no cérebro. Escapei da morte, mas o preço ficou gravado no meu corpo. Meu lado esquerdo? Talvez nunca mais volte totalmente ao normal.

— A gente colhe os frutos das próprias escolhas, não colhe?

— Colhe, colhe sim. — Ela olhou especificamente para a minha barriga, como se quisesse dizer algo sobre minha gravidez. Mas escolheu não dizer nada. — Então... Por que você está aqui? Certamente não é para jogar conversa fora. E se não veio tentar me gravar falando alguma coisa incriminatória... Por que está aqui?

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