— Cadê a Zara? O que você fez com ela?
A voz do Arthur chegou pelo viva-voz que a Genevieve tinha ativado sem me pedir licença. Ela queria que eu ficasse ouvindo sem participar, sem poder intervir, no máximo reagindo enquanto ela conduzia tudo do jeito que queria. Era exatamente o tipo de controle que ela sempre exerceu, só que agora eu sabia reconhecer.
Não era o que iria acontecer.
— Você não vai perguntar de mim? — Ela soou ofendida. E o estranho era que não era performance, era genuíno. Havia uma mulher ali que construiu uma versão da realidade onde ela era o centro de uma história de amor não correspondido, e que estava magoada porque a pessoa amada não estava seguindo o roteiro que ela tinha escrito para ele.
— Cadê a Zara? — Ele repetiu, sem variar o tom.
— Estou bem. — Falei, de onde estava. — Não se preocupa.
— CALA A BOCA! Fica quietinha aí... — Ela se virou para mim, depois voltou para o telefone. — Você realmente não se importa comigo? Passei minha vida inteira te amando.
— Gen. — A voz do Arthur ficou mais amena. — Você nunca me disse.
— Mas eu sempre demonstrei! Não é o que dizem, que amor se demonstra nas pequenas coisas? Estive sempre ao seu lado. Te apoiei de todas as formas. Lutei pela gente.
— Você tentou matar a esposa dele depois de se fazer de melhor amiga. — Murmurei, revirando os olhos.
Ela ignorou.
— Eu te livrei de todas as interesseiras que apareceram ao longo dos anos. Preservei sua imagem quando você precisou e não estava em condições de fazer isso sozinho. Estava lá quando você bebia demais e queria fazer besteiras. Estava lá quando você de fato fazia besteiras, e nunca disse uma palavra para ninguém. Fui a primeira pessoa que você ligou quando precisou e a última que você deveria ter ignorado.
— E eu reconheço sua amizade. — Arthur disse, do outro lado. — Sou grato por ela.
Mas não era verdade. Primeiro que Genevieve nunca foi a primeira pessoa para Arthur, Thomas era. E ela sabia, mas preferia fantasiar. Segundo que nunca foi amizade. Ao menos não da parte dela.
— Mas não era amizade, era? — A palavra saiu de mim antes que eu pensasse muito. — Você fazia tudo isso esperando que ele te notasse um dia. Era investimento. Havia uma conta sendo aberta a cada gesto, e você esperava que em algum momento ele pagasse.
Ela me olhou. Algo ali doeu, eu vi. Não no sentido de remorso, mais no sentido de alguém sendo vista de um ângulo que preferia não ser vista. Mas ela continuou como se eu não tivesse falado.

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