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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 172

— Zara... o que... do que você tá falando? — A voz do Arthur chegou chocada do outro lado.

— Estou falando que não existe herança de pessoa viva — continuei, sem tirar os olhos da Genevieve. — E que ficaria cada vez mais difícil pra Leonora conseguir o que ela queria conforme o tempo fosse passando. Porque ali, logo depois do casamento, ela ainda tinha um cenário favorável ao controle dela: uma suposta neta que ela estava tentando fazer parecer impostora. Os registros do exame original que eu fiz tinha sido apagados, só ficou o exame que ela fez dar negativo.

— O que eu vi minutos antes do nosso casamento e que deveria ter me feito desistir. — A voz do Arthur veio baixa, quase como se ele estivesse, agora, a se direcionar para o mesmo ponto da história em que eu já havia chegado.

— Mas não fez — Genevieve quase cuspiu as palavras. — Vocês se casaram mesmo assim, com vestido preto e tudo o mais.

— Mas o vestido não era o verdadeiro problema, era? — Disse. — Era distração. A forma de me manter ocupada enquanto Arthur recebia a notícia de que eu era uma impostora.

— Eu não... eu não... Eu não sabia de tudo. Só sabia do vestido.

— Eu sei — disse. — Acredito nisso.

E acreditava mesmo. Porque Leonora não dava o mapa completo para ninguém. Distribuía as peças em doses separadas para que ninguém pudesse ver o quadro inteiro. Genevieve sabia do que a Leonora havia escolhido mostrar e não mais do que isso.

— E aí ela estava ficando sem tempo — Continuei. Não era conclusão chegando naquele momento, eu já tinha pensado nisso durante as noites na fazenda, quando o Arthur dormia e eu ficava olhando para o teto com a cabeça trabalhando no que não queria trabalhar. O que eu precisava era só da confirmação dela. — A mentira era frágil. O casamento tinha acontecido, a união que tirava tudo dela estava de pé. Mas se meu avô morresse logo, se a herança se tornasse real rápido o suficiente, ela ainda podia usar tudo que estava fresco para me acusar. A opinião pública me odiava. O exame deu negativo. O tempo que passei com meu avô antes do casamento era curtíssimo. Tudo pesava a favor dela. A única coisa que pesava contra era o Augusto em vida, defendendo que eu era a neta dele de verdade. E ele ia defender. Não precisava de papel para isso. Ele sabia, do mesmo jeito que eu aprendi a saber também, sem precisar de nenhum laboratório me dizendo o que já sentia. Se ele sumisse logo de cena, ainda dentro desse período em que ela tinha um certo controle, Leonora ficava com o campo livre. Simples assim.

Minha voz falhou quando terminei.

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