~ ZARA ~
Ele riu, meio irônico, antes de responder. Como se o que fosse dizer fosse tão obvio, que precisasse de um toque de ironia.
— Tudo o que eu não quero é o divórcio. Mas eu também não quero ter um casamento como o dos meus pais. Sabe por que eles ainda estão juntos?
Balancei a cabeça negativamente. Não estava com a mínima vontade de falar dos pais dele naquele momento. Estava com vontade de falar do que estava acontecendo entre nós dois, não de servir como espelho para os problemas de outras pessoas. Mas ele precisava dizer, eu via, então fiquei quieta e deixei.
— Porque ele ainda a ama. Pode fingir que não, pode fingir que é porque minha irmã ainda é menor de idade... ou pelo menos era até alguns dias atrás... ou que é porque precisa manter uma imagem de família equilibrada para o hospital, para o círculo social, para tudo aquilo que a família Sartori representa publicamente. Mas não é isso. É porque ele ainda a ama e se lembra desse sentimento do jeito puro, de quando tudo era simples entre eles. Então ele sustenta o difícil. Seria mais fácil ter deixado ir, sabe? Para os dois. Mas ele não consegue. — Fez uma pausa, me olhando nos olhos. — Da mesma forma que eu não conseguiria te deixar ir.
— E por que sua mãe simplesmente não termina, se ela não o ama mais?
— Porque eu acho que ela também o ama. Eles só não conseguem deixar que o amor supere os problemas, especialmente os que tiveram no passado. Porque amor não é mágica, Zara. Ele pode ser bem dolorido, ainda que correspondido. E eu não quero que o nosso seja assim. Não quero estar sempre esperando pela próxima vez que você vai se colocar em risco e voltar pra casa com um sorriso no rosto como se não fosse nada. Porque pra mim foi tudo. Eu não quero viver esperando pela próxima mentira.
— Eu sei. — Murmurei. — E estou pedindo desculpas. Mas se você não acredita na minha promessa de que não vai ser assim... Arthur, eu simplesmente não sei o que fazer.
Ele confirmou com a cabeça. Deu um beijinho nos meus lábios, rápido e contido e saiu, voltando em direção à sede da fazenda sem olhar para trás.
Fiquei parada, com a cabeça a mil, os hormônios gritando, o sol quase sumido no horizonte transformando a fazenda naquelas cores de fim de tarde que eu normalmente acharia bonitas, mas que agora eram só o cenário de uma conversa que não tinha ido para onde eu esperava.
Fiquei olhando para ele entrar na casa, e quando a porta fechou atrás dele foi aí que as lágrimas vieram com tudo, sem pedir licença, aquele tipo de choro que sai do lugar mais cansado de você.

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