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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 178

— Zara, o que você tá fazendo?

Arthur perguntou quando percebeu que eu o estava guiando por um caminho que não fazia muito sentido para uma madrugada normal. Na verdade... não fazia sentido para qualquer madrugada.

— Você vai ver. Deixa de ser ansioso — brinquei, puxando a mão dele.

A trilha para o lago estava iluminada apenas pela lua cheia e por um ou outro vagalume piscando entre as árvores. Nos primeiros minutos foi difícil enxergar, foi difícil os olhos se adaptarem a escuridão da noite na mata. Mas em certo ponto as lanternas que tínhamos trazido viraram desnecessárias e a lua fez o suficiente.

Arthur ia me seguindo sem fazer mais perguntas. Era ou confiança ou curiosidade grande o bastante para superar qualquer reserva. Preferi acreditar que era as duas coisas e que o fato de ele ter vindo sem questionar já era, por si só, alguma forma de resposta para a conversa que tínhamos tido mais cedo.

Quando chegamos, fiz um "tcharammm" com as mãos apontando para o que tinha organizado na beira do lago.

Não era muito. Eu tinha feito aquilo no meio da madrugada, sozinha, sem ter planejado nada, com o que a fazenda tinha disponível e o que eu consegui montar sem fazer barulho para acordar ninguém. Mas tinha dado um jeito. Pequenas lanternas de papel penduradas nas árvores mais próximas, arranjos de flores silvestres em garrafas de vidro espalhadas pelas pedras. E um portal feito de galhos que eu tinha amarrado com cipó e ornado com as flores que eu e Arthur tínhamos colhido dias atrás e que tinham ficado guardadas em um vaso com água na varanda.

— O que... o que é isso? — Ele olhou para tudo, depois para mim.

— Espera. Espera.

Fui até a pedra maior perto da margem, onde eu tinha deixado preparado o que precisava. Apoiei o celular num ângulo que ficasse firme, coloquei o porta-retratos ao lado com uma foto do Augusto que eu tinha encontrado numa gaveta da fazenda dias atrás e guardado sem saber exatamente por que até agora. Abri o aplicativo de música.

Almost Blue começou a tocar no silêncio da madrugada.

Peguei a mão do Arthur e o guiei até debaixo do portal, com a lua no céu e o lago ao fundo refletindo tudo aquilo de um jeito que eu não tinha planejado, mas que ficou melhor do que qualquer planejamento conseguiria.

— Quando a gente se casou... — Comecei, olhando para ele. — A gente fez isso talvez não pelos motivos certos. A gente fez porque havia um contrato, um acordo, para a alta sociedade para ver. Para o Augusto ficar feliz. Para uma série de razões que tinham pouco a ver com o que eu sentia e que eu ainda estava aprendendo a entender na época. — Fiz uma pausa, tentando organizar as palavras na minha cabeça. — Hoje eu pensei em acordar todos os nossos amigos todos aqui na fazenda para que pudessem testemunhar isso. Mas então eu pensei que as únicas pessoas que precisam estar aqui para ver como esse amor realmente cresceu já estão. Você, eu, e... — Apontei para o porta-retratos. — Meu avô. Onde quer que esteja, porque sei que ele vai estar sempre ao nosso lado nos abençoando. Ele queria isso pra mim. Queria que eu fosse feliz. E eu sou, Arthur. Mesmo com tudo que veio junto, eu sou.

— Zara... — Arthur começou.

Fiz um gesto para que ele esperasse. Se eu parasse agora, as emoções iam tomar conta antes que eu terminasse, e eu precisava terminar.

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