A barraca era ridícula de pequena. Daquelas de camping vagabundo que mal cabiam duas pessoas deitadas. A lona baixa obrigava a gente a se curvar, e o colchão inflável ocupava o chão inteiro — não sobrava espaço nem pra esticar as pernas direito. A lanterna pendurada no centro balançava com o vento que entrava pelas frestas, e o cheiro de terra molhada e mato se misturava com o calor dos nossos corpos já se acumulando dentro daquele cubículo de lona.
Arthur entrou na frente, teve que se abaixar quase até o chão pra passar pela abertura. Eu entrei atrás e puxei o zíper. O clique final soou definitivo.
— Você é doida — ele disse, já se sentando no colchão, as pernas dobradas porque não tinha como esticar. — Sabia disso?
— E você adora. — Respondi, ajoelhando-me entre as pernas dele, as costas roçando a lona. — Por isso casou comigo.
Ele riu, aquele som baixo que eu conhecia bem, mas os olhos já tinham mudado. Não era mais brincadeira. Era fome. A mão dele encontrou minha nuca e me puxou pra um beijo que começou com dentes, quase agressivo, e terminou com a língua dele explorando minha boca como se estivesse reivindicando cada centímetro.
Quando ele puxou minha blusa pela bainha, eu levantei os braços e deixei, o tecido voou pro canto. A lanterna iluminou minha pele e eu vi o olhar dele percorrer meu corpo. Não tinha nada de poético naquilo. Era possessão pura.
— Tá diferente — ele murmurou, a mão encontrando minha barriga. A palma quente e firme, traçando a curva que começava a aparecer.
— Tô grávida, seu idiota. Claro que tá diferente.
— Tão linda... — ele sussurrou.
Arthur se inclinou pra frente e mordeu meu ombro, os dentes afundando com uma pressão que me fez arfar. Eu passei a mão pelos cabelos dele e puxei sua cabeça pra trás, com força suficiente para fazê-lo olhar pra mim. O sorriso que se abriu no rosto dele era pura provocação.
— Sua vez — eu disse, puxando a camisa dele.
Ele ergueu os braços e eu tirei, a peça amassada indo parar no mesmo canto que a minha.
Passei os dedos devagar pelo flanco esquerdo dele, onde a pele havia fechado numa linha fina que ainda estava mais rosada do que o resto. A cirurgia. Depois subi um pouco, encontrei a outra — menor, mais discreta, mas que eu conhecia intimamente porque tinha sido eu que a tinha feito, com as mãos tremendo num helicóptero.
— Essa aqui é minha obra — murmurei, tocando nela.
— Horrível, como eu disse.
Ele sorriu contra minha boca, e a mão que estava na minha barriga desceu, encontrando o cós da minha calça. O zíper desceu com um som que cortou o silêncio, e eu levantei os quadris pra ele puxar o tecido pelas minhas pernas.
— Tira isso, agora — eu disse, puxando a calça e a cueca dele junto, impaciente.
Ele arqueou uma sobrancelha, mas obedeceu. O corpo dele ficou exposto, a pele quente, e eu não perdi tempo. Envolvi o pau dele com a mão, sentindo o peso, a firmeza, a forma como ele já reagia ao meu toque. Ele prendeu a respiração e a mão se fechou no meu cabelo, puxando para trás.
— Não vai ter paciência hoje, não? — a voz dele era rouca, diferente.
— Estou há três semanas esperando você estar liberado. — Respondi, apertando mais forte, subindo e descendo devagar. — Acha que eu vou ter paciência?
A mão dele encontrou minha nuca e me puxou para cima, me jogando de costas sobre as mantas. O colchão afundou com o impacto, o ar escapou dos meus pulmões, e o teto da barraca estava tão perto que eu conseguia ver as costuras. Ele se posicionou sobre mim, os antebraços apoiados de cada lado da minha cabeça, o corpo cobrindo o meu. O pau dele roçou minha coxa, e eu ergui os quadris, pressionando contra ele.
— Você quer — ele disse, não como pergunta.
— Tá tão na cara assim? — provoquei, puxando-o para baixo pelo pescoço.
Ele riu, mas a risada morreu quando ele deslizou a mão entre minhas coxas. Os dedos encontraram minha calcinha e ele a empurrou pro lado, mergulhando em mim sem aviso. A primeira carícia me fez arquear as costas, e eu mordi o lábio, mas não consegui abafar o gemido.
— Ainda bem que ninguém vai ouvir a essa distância — ele disse, a boca perto da minha orelha.
— Ninguém vai ouvir mesmo. — Respondi, a voz já falhando enquanto os dedos dele trabalhavam em mim, rápidos e precisos. — Então não para.

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