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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 180

O caos dos depoimentos começou na semana seguinte, nossos advogados tendo conseguido adiantar as coisas com uma velocidade que eu não esperava, mas que estava grata por ter.

Não foram todos de uma vez nem em um só dia. O Fábio e a Geórgia foram os primeiros — eles tinham as histórias mais limpas, sem complicação, e corroboravam com as provas documentais que o advogado estava apresentando. A Geórgia voltou da delegacia mais quieta do que saiu, o que era compreensível dado que tinha que narrar formalmente o que ouviu no mezanino da mansão naquela noite. Coisas que ela provavelmente teria preferido nunca ter ouvido.

Depois fui eu.

Quiseram me ouvir apesar de eu ter estado sedada durante boa parte do que aconteceu no quarto. Não sabia quanto do que eu diria seria levado em consideração dado esse detalhe, mas minha história ia bater com a da Alícia, e havia os áudios das câmeras, e havia o histórico do Guilardi, e eu esperava que fosse suficiente quando juntado com o resto.

Por último foi Alícia, com o Samuel segurando a mão dela até o ponto em que um funcionário da delegacia disse educadamente que ele teria que esperar do lado de fora.

Arthur e eu ficamos esperando Alícia em uma cafeteria na esquina da delegacia fingindo ser um casal qualquer. O que tecnicamente éramos. Mas “casais qualquer” não tinha um par de seguranças particulares extras sentados na mesa vizinha.

— E aí? — Perguntei, quando a Alícia entrou e veio na nossa direção.

— Liberada! — Ela jogou as mãos para cima enquanto o Samuel ia pegar o pedido dos dois. — Quero dizer, me disseram para ficar disponível para eventuais intimações e que não posso deixar o estado sem autorização prévia. Mas não fui presa. Então é algo a se comemorar, não é?

— Com certeza. — Samuel voltou com os cafés e nós quatro fizemos um brinde com os copos de papel.

Mas a gente sabia que o verdadeiro desafio viria dois dias depois. O depoimento da Genevieve.

Ela tinha concordado. Tinha olhado nos meus olhos naquele quarto, confirmado com a cabeça e dito as palavras. Mas tinha se passado tempo o suficiente para muita coisa mudar — para ela reconsiderar, para concluir que tentar fugir da Leonora era mais inteligente do que cooperar com a polícia, para perceber que prisão domiciliar não era o futuro que ela havia imaginado e decidir que preferia tentar a sorte de outra forma.

Eu ficava pensando nisso mais do que deveria. Arthur percebeu e uma noite simplesmente pegou a minha mão e disse que a Genevieve não ia mudar de ideia porque ela havia entendido que a Leonora era um perigo real para ela, e que o único lugar seguro que ela tinha no momento era o acordo. Fez sentido quando ele disse. À luz do dia fazia menos sentido, mas eu me segurava naquilo assim mesmo.

Então dois dias depois estávamos todos na salinha de espera da delegacia — eu, Arthur, Alícia, Samuel, Thomas, e Geórgia que tinha insistido em vir e que não estava ajudando muito olhando pela porta de cinco em cinco minutos como se a frequência das verificações fosse de alguma forma acelerar o processo lá dentro.

O ambiente não ajudava. Cadeiras de plástico duro encostadas na parede, um funcionário passando de vez em quando com uma pilha de papéis, o cheiro de café velho misturado com ar-condicionado antigo. Outras pessoas esperando por outros motivos completamente alheios ao nosso, o que era um lembrete útil de que o mundo continuava funcionando independente do que estávamos passando.

O depoimento era demorado por natureza — o delegado fazia perguntas, o escrivão anotava, o advogado intervinha quando necessário. Eu sabia disso. Mas a ansiedade tornava cada minuto o dobro do tamanho normal, e cada vez que alguém entrava ou saía de qualquer porta do corredor eu levantava a cabeça esperando que fosse ela.

Arthur tomou pelo menos uns dez copinhos de café do distribuidor automático no corredor, o que eu tinha comentado no terceiro e parado de comentar no quinto porque claramente não estava fazendo diferença nenhuma.

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