Eduardo estava no corredor do hospital quando saímos do consultório.
Não era coincidência, Arthur tinha avisado que estaríamos lá, e o pai dele tinha arranjado um jeito de aparecer sem transformar aquilo numa visita formal. Estava de jaleco, com um prontuário na mão, como alguém que passou por ali a caminho de outra coisa, o que era quase convincente.
— E então? — Ele perguntou, olhando de um para o outro. — Está tudo indo bem?
Arthur me olhou. Eu sorri.
— Perfeitamente bem! E... o senhor vai ser avô de uma menina — disse.
Eduardo ficou parado por um segundo. Depois a postura toda de médico simplesmente foi para o espaço, e ele abraçou o filho de verdade, não o aperto rápido de homem que não sabe bem o que fazer com o próprio afeto, mas um abraço longo, com as costas do Arthur nas mãos dele. Depois se afastou e me abraçou também, com a mesma intensidade.
— Parabéns. — Disse, quando finalmente se separou dos dois, com os olhos brilhando de um jeito que ele provavelmente não ia admitir se alguém comentasse. — Uma menina.
— Uma menina. — Arthur confirmou, ainda sorrindo.
— Quero ser um avô presente. — Eduardo disse, olhando para mim. — Podem contar comigo para o que precisarem. Os dois. E ela.
Fiquei olhando para ele por um segundo.
— O Augusto passou pouco tempo na minha vida — comecei. — Mas foi importante de uma forma que não tem proporção com o tempo, uma forma que eu não consigo explicar, só sentir — fiz uma pausa antes de concluir. — Tenho certeza de que você vai ser assim pra Liz também.
— Liz. — Ele repetiu, baixinho, como se estivesse testando o nome. Depois assentiu devagar, como se tivesse chegado a uma conclusão. — Bonito nome.
Ficamos ali por mais alguns minutos, os três no corredor do hospital, e havia algo naquilo que era diferente dos outros momentos que eu tinha tido com o Eduardo.
— Vocês estão voltando para a fazenda hoje? — Ele perguntou, por fim.
— Amanhã de manhã. — Arthur disse. — Ficamos no hotel essa noite ainda, com o resto do pessoal. Alugamos um helicóptero, voltamos todos juntos.
— É que antes a gente vai no shopping. — Falei, sentindo o entusiasmo subindo de um jeito que eu não estava esperando, mas que estava completamente disposta a deixar subir. — Agora que sabemos o sexo, quero ver roupinhas, sapatinhos... estou animada.
— Boas compras então. — Eduardo deu um sorriso pequeno e genuíno. — E parabéns de novo. Para os dois.
O shopping ficava a alguns quarteirões do hospital. Entramos sem plano específico além de olhar — pelo menos era isso que eu tinha dito para o Arthur, quando na verdade eu já tinha uma lista mental que tinha começado a montar na maca do consultório assim que a médica confirmou que era menina.
O problema foi que Arthur também tinha uma lista.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO