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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 24

Arthur se aproximou devagar, do jeito de quem está dando uma última chance ao universo para mandar uma desculpa convincente para sair correndo dali. Cumprimentou a todas com a cordialidade mínima aceitável e ficou de pé por um segundo, avaliando a situação como se ainda estivesse calculando se havia uma saída.

— Você veio almoçar sozinho? — Geórgia perguntou. — Que estranho.

— Vim comprar um sapato novo e resolvi almoçar. Não tem nada de estranho.

— Então almoça com a gente — Genevieve apontou para a última cadeira vazia da mesa com naturalidade.

Arthur tentou negar, mas Geórgia já estava argumentando.

— É melhor do que ficar sozinho.

Ele olhou para mim. Eu olhei para ele. A expressão dele dizia tudo sem precisar de palavras: será que é mesmo?

Revirei os olhos e dei de ombros.

Ele se sentou.

Fez o pedido rapidamente, com a familiaridade de quem já conhece o cardápio, o que me irritou levemente porque eu tinha sofrido com aquele menu em francês enquanto ele provavelmente o decorou na infância.

— Estava contando para as meninas — Geórgia disse para o irmão, animada — que vou ganhar uma Dakota de aniversário. E a Zara achou que eu estava falando de sapato.

Arthur riu. Uma risada curta e genuína.

Queria sumir embaixo da mesa.

— Eu nem sabia que existia essa marca de sapato — Genevieve disse, com uma curiosidade honesta. — É boa?

— Ah, sei lá — desviei, olhando para o copo de água com um interesse inexistente.

— Vamos fazer compras depois — Geórgia continuou, incapaz de deixar qualquer assunto morrer sozinho. — Podemos ver uns sapatos. Você pode vir com a gente se estiver livre.

— Claro. Preciso de um colar novo para o Baile de Debutantes. — Genevieve se virou para mim. — Aliás, Zara, está animada?

— Ah, é. O baile. Claro — menti com uma convicção que eu mesma não sabia que tinha.

— Precisamos marcar a data, aliás — Arthur disse, com o tom de quem está tratando de uma reunião de negócios.

— Data?

— O padrinho quer anunciar nosso casamento no baile.

Senti o estômago revirar. Céus. Ia mesmo acontecer. Um casamento. De verdade. Com data, vestido, bolo e provavelmente um padre ou juiz de paz me perguntando se eu aceitava aquele homem como meu marido, e eu tendo que responder que sim na frente de um salão inteiro de pessoas que eu mal conhecia. Isso era real. Isso estava acontecendo com a minha vida.

— Achei que o baile era um debute de mulheres solteiras. Tipo... carne fresca no mercado.

Arthur me encarou por um segundo longo o suficiente para eu me arrepender imediatamente da expressão.

Genevieve salvou a situação antes que ele respondesse.

— É mais ou menos isso. No meu caso, por exemplo. Vinte e um anos, solteira, pronta para casar, segundo meus pais. Mas, no seu caso, é mais uma apresentação para a alta sociedade carioca em geral.

— E não foi isso que fizemos ontem na mansão?

— Só para os íntimos — Geórgia explicou. — No baile é para todos. Todos os nomes importantes, claro. E normalmente quando a garota já tem um noivo, eles dançam juntos e anunciam a data.

Olhei para Arthur.

— Vamos dançar juntos?

— Com cor de vestido e gravata combinando e tudo — ele respondeu, com um sorriso de canto que não tinha nada de animação. — Mal posso esperar.

— Certamente você só não está mais animado do que eu.

A comida começou a ser servida antes que qualquer um de nós precisasse continuar aquela conversa, o que foi uma intervenção divina que eu agradeci internamente. Mas o estômago que eu já tinha sentido revirar não tinha voltado ao lugar, e eu precisava de um minuto que não fosse embaixo de três pares de olhos.

— Com licença.

Capítulo 24 1

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