Nunca achei que fazer compras fosse tão cansativo.
Arthur tinha fugido na primeira oportunidade, o que eu não podia culpar, porque Geórgia e Genevieve tinham o dom de transformar uma simples ida às lojas em uma operação de guerra. Tecido, corte, caimento, tom de pele, sapato, bolsa. O que funcionava para um almoço, o que funcionava para um baile, o que dizia elegância, o que dizia desespero. Havia uma ciência inteira ali que eu desconhecia completamente e que as duas dominavam com fluências diferentes, Geórgia com entusiasmo caótico, Genevieve com uma precisão tranquila que eu fui aprendendo a confiar.
— Não, não, esse tom de nude te apaga — Geórgia disse, devolvendo uma blusa para a araras com a decisão de um juiz dando veredito. — Você precisa de cor. Cor te faz justiça.
Fui ficando exausta. Mas também fui me divertindo, o que não tinha planejado. Pela primeira vez desde que entrei naquele mundo, não estava sendo tratada como um erro a ser corrigido. Era uma pessoa que simplesmente ainda não conhecia aquele universo, e havia uma diferença enorme entre as duas coisas.
A loja de vestidos ficava num corredor mais tranquilo do shopping, com aquela iluminação que faz qualquer peça parecer especial. A vendedora trouxe araras e mais araras, e nós três ficamos circulando entre os tecidos com uma seriedade que eu nunca tinha aplicado a roupas na vida.
Foi Genevieve quem parou primeiro.
— Vermelho — ela disse, tirando o vestido do cabide com cuidado. — Faz parte da sua cartela, definitivamente.
Olhei para o vestido. Era longo, com um decote elegante e um corte que sugeria o corpo sem expor demais, tinha um tom de vermelho que era fundo e rico e que definitivamente roubava olhares.
— Não é muito extravagante?
— Chama atenção — Geórgia concordou. — Mas eu não diria extravagante.
— Luxuoso — Genevieve corrigiu, com a precisão dela. — Definitivamente. Experimenta.
— Eu não sei... não estou acostumada com...
— EXPERIMENTA! — as duas gritaram juntas.
Não tive outra alternativa.
Quando saí do provador, o silêncio das duas durou exatamente dois segundos.
— É esse — Genevieve disse.
— Definitivamente — Geórgia confirmou.
Me virei para o espelho.
Demorei um segundo para reconhecer a pessoa que estava olhando de volta para mim. Não era a garota de jeans e camiseta que tinha entrado naquele shopping. Não era a garota que sofria bullying nos corredores da Santa Trindade. Era outra coisa. Alguém que deixava as pessoas de queixo caído antes de abrir a boca.
Eu gostei.
— Com esse aí — Geórgia disse —, não tem como você desagradar ninguém.
— Não me importo com o que Arthur pensa — respondi, sem pensar.
Ela me olhou com um sorriso lento.
— Eu estava pensando mais na minha mãe. Mas já que Arthur foi quem veio primeiro na sua cabeça...
— Cala a boca — respondi, sem conseguir conter completamente o sorriso.
A loja seguinte era o que Geórgia chamou de "dia a dia", o que era uma forma muito criativa de descrever um lugar onde as camisetas custavam o equivalente a dois meses do meu aluguel anterior.
— Isso é muita coisa — reclamei, olhando para a pilha que estava se formando. — Não preciso de tudo isso.
— Você precisa de um guarda-roupa completo — Genevieve respondeu, com a firmeza tranquila dela. — Estamos construindo seu novo estilo.
— Eu nem tinha um estilo antigo.
— Isso eu posso confirmar — Geórgia concordou, sem cerimônia. — Vi o seu armário. Tinha umas dez peças. Todas horríveis.
— Hey!


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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO